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Araraquara já foi palco de grandes provas de automobilismo e motociclismo

Luigi Polezze

Corridas de rua reuniram pilotos de destaque e milhares de espectadores; tradição chegou até a década de 1990

Araraquara já viveu uma época em que o ronco dos motores fazia parte da paisagem das ruas e atraía várias pessoas para acompanhar de perto as competições. Entre motos, karts e carros, as provas de rua ajudaram a construir uma história ligada ao automobilismo e ao motociclismo na cidade.

Nessa reportagem, o JA entrevistou Nilton Gonçalves, o “Boca”. Um dos maiores protagonistas dessa história, que nos conta mais sobre.

Entre os eventos que mais marcaram essa trajetória está a prova realizada em 1962, na Avenida Bento de Abreu. Segundo o relato, a competição levou quase metade da cidade às ruas para acompanhar a disputa, realizada justamente na região onde hoje está o posto próximo ao local da entrevista.

A prova também reuniu nomes importantes do automobilismo da época, entre eles José Carlos Pace, que posteriormente emprestaria seu nome ao Autódromo de Interlagos, além de Christian Heins, Chico Landi e Bird Clemente. O relato destaca que a presença de pilotos de primeira linha ajudou a transformar a competição em um acontecimento de grande repercussão para Araraquara.

Motos também fizeram parte da história

A tradição não ficou restrita aos carros. Araraquara também recebeu competições de motocicletas, incluindo a participação de pilotos de destaque.

Entre os eventos lembrados estão provas realizadas ainda na década de 1960, quando as corridas de rua eram uma realidade muito mais comum do que atualmente. Também houve competição de kart na região da Vila Xavier, na Alameda Paulista.

Com o passar dos anos, as disputas continuaram. Na década de 1980, novas provas de kart foram realizadas na cidade e, já nos anos 1990, a tradição ainda resistia.

O relato aponta 1995 como o ano da última prova de rua disputada em Araraquara, encerrando um ciclo que atravessou diferentes décadas.

Por que as corridas perderam espaço?

Apesar da existência de um público fiel, o automobilismo e o motociclismo enfrentaram dificuldades para manter o mesmo espaço.

Um dos principais obstáculos apontados é o alto custo envolvido na prática do esporte. Manutenção dos veículos, desenvolvimento dos equipamentos e treinamento exigem investimentos elevados. Na época em que as competições eram realizadas nas ruas, os custos eram ainda maiores, já que o treinamento dependia de atividades presenciais.

Com a evolução tecnológica, os métodos de preparação também mudaram. Paralelamente, a construção e utilização de autódromos e kartódromos fez com que as competições deixassem progressivamente as ruas.

O papel do kart de quatro tempos

O entrevistado também destaca uma mudança que ajudou a popularizar o kart: a expansão dos motores de quatro tempos.

Na avaliação dele, o kart de quatro tempos permitiu reduzir os custos de manutenção e ampliar o acesso à modalidade. Porém, o kart de dois tempos continua sendo a modalidade mais próxima da tradição competitiva.
A diferença está principalmente no desempenho e nos custos. Segundo o relato, dentro de uma mesma cilindrada, o motor de dois tempos pode apresentar aproximadamente o dobro da potência de um motor de quatro tempos, enquanto sua manutenção também representa um custo significativamente maior.

A popularização dos motores de quatro tempos, portanto, teria contribuído para reduzir a barreira financeira de entrada no esporte.

Mais do que competir, levar o nome de Araraquara

A trajetória do “Boca” não é marcada apenas pelas competições e resultados individuais. Ao falar sobre a recente homenagem recebida na cidade, ele destaca outro aspecto de sua carreira: a representação de Araraquara.

Segundo o piloto, embora tenha participado de cerca de 300 provas ao longo da carreira, apenas três delas foram realizadas em Araraquara. Ainda assim, ele afirma que sempre fez questão de levar o nome da cidade consigo.
A identificação aparece até no capacete utilizado há anos, que traz “Araraquara” na viseira.

As competições, segundo ele, ocorreram em diferentes regiões do país, incluindo o interior paulista, Grande São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Mais do que os títulos, a intenção declarada é fazer com que o nome de Araraquara esteja presente por onde passa.

Uma história que permanece

As antigas corridas de rua podem ter ficado no passado, mas permanecem como parte da memória esportiva da cidade. Das grandes provas que reuniam milhares de pessoas na Avenida Bento de Abreu às competições de kart e motociclismo que se estenderam até a década de 1990, Araraquara teve participação em uma história que hoje é muito mais associada aos autódromos e kartódromos.

Boca recebendo troféu

Da esquerda pra Direita: Sidinei (preparador) Nivaldo (aux. meca) Boca e Fernando Dindão.

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