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Câmara lamenta falecimento de ex-assessor Carlos Alberto do Amaral, referência do samba em Araraquara

Músico que abriu caminhos para gerações deixa sua marca na história do ritmo e na cultura do município

A Câmara Municipal de Araraquara lamenta profundamente o falecimento de Carlos Alberto do Amaral Lobão, o Amaral, ocorrido nesta quinta-feira (17), aos 66 anos. Nascido em 2 de novembro de 1959, o músico dedicou sua vida ao samba e ao pagode e deixou uma contribuição que ultrapassa os palcos: abrindo caminhos, fortalecendo a cultura negra e consolidando Araraquara como um importante espaço de expressão do gênero. Amaral também atuou como assessor parlamentar, no período de 2011 a 2013, do então vereador João Farias (Republicanos).

Despedida

A cerimônia de despedida do Amaral será realizada nesta quinta-feira (17), das 14h às 17h15, na Sala Lírio do Rio, no Lírios Cerimonial, em Araraquara. O sepultamento está marcado para as 17h30, no Lírios Cemitério Parque, também no município.

A Câmara Municipal de Araraquara se solidariza com familiares, amigos, músicos, admiradores e toda a comunidade do samba neste momento de despedida. Carlos Amaral deixa uma história que permanecerá viva na memória da cidade, nas rodas de samba e nas novas gerações que encontram e em sua trajetória

Uma vida dedicada ao samba

Desde criança, Amaral demonstrava paixão pelas baterias das escolas de samba. Aos 8 anos, trabalhava para ajudar a família vendendo amendoim e guardava parte do dinheiro que conseguia para comprar instrumentos musicais. A música, inicialmente uma paixão, ganhou espaço em sua vida até se transformar em profissão e em uma das principais marcas de sua história.

Entre amigos, Amaral participou da criação da torcida da Ferroviária “FerroChopp”, na qual atuava como diretor cultural e garantia a batucada com seus instrumentos. As apresentações em festas de clubes da cidade ajudaram a fortalecer sua relação com a música e com o público araraquarense.

A partir de 1981, Amaral passou a se dedicar integralmente à música. Seu primeiro grupo foi o “Só Pagode”, que posteriormente adotou o nome “Magnatas do Pagode”. Nos anos 1990, o grupo participou do 1º Festival de Pagode do Só Pra Contrariar e integrou as coletâneas “Só Pra Contrariar e Seus Convidados”. A música “Doce Mania”, de Zezinho Cipó, ganhou destaque e permaneceu nos arquivos de samba das emissoras de rádio.

Em 1997, Amaral mudou-se para Joaçaba, em Santa Catarina, onde fundou o projeto “Futuro do Samba”. De volta a Araraquara, participou do projeto “Circuito do Cabral”, no SESC Araraquara, e, a partir de 2000, deu início ao “Samba de Bamba”, iniciativa que se tornou parte de sua trajetória e de sua contribuição para a cena cultural da cidade.

Reconhecimento

O trabalho de Amaral também foi reconhecido pela Câmara Municipal. Em 2023, por iniciativa do então vereador João Clemente (Progressistas), o músico recebeu o Diploma de Honra ao Mérito, por meio do Decreto Legislativo nº 1.177. A homenagem destacou sua contribuição para o protagonismo do samba nas gerações dos anos 1990 e 2000 e para a projeção de Araraquara no cenário do pagode.

Ao recordar a importância do músico, João Clemente ressaltou, durante a homenagem, o papel de Amaral na transformação da cena musical da cidade. “Ele foi um dos pioneiros na difusão do samba e do pagode na cidade, rompendo barreiras do preconceito e lutando contra a desigualdade racial. O Amaral é o impulsionador, para não dizer o precursor, de um movimento em Araraquara através do samba que quebrou muitos paradigmas e lançou, como pode ser visto no movimento posterior de muitos músicos daqui de Araraquara, a possibilidade de que os negros fossem inseridos na música e depois ter destaque no cenário municipal”, afirmou.

Com talento, sensibilidade e generosidade, Carlos Amaral fez do samba uma forma de expressão, identidade e valorização da cultura negra. Ele deixa a esposa Cristiana Maria Leal Falcoski, os filhos Carlos Alberto, Felipe e Matheus e os netos: Emanuelle, Uriel, Olívia, Enrico, Serena.

(Setor de Imprensa – Câmara Municipal de Araraquara)

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