Pesquisa do Sincomercio mostra que trabalhador precisa de quase 147 horas de trabalho para adquirir os itens; em 12 meses, a alta foi de 3,64%
O preço médio da cesta básica caiu levemente em Araraquara em agosto, mas continua representando uma parcela significativa do orçamento das famílias. Segundo levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara, o conjunto de produtos passou de R$ 1.084,13 em julho para R$ 1.082,58 em agosto, redução de 0,14%.
Apesar do recuo, o valor da cesta ainda corresponde a 66,8% do salário mínimo nacional, atualmente em R$ 1.621. Na prática, um trabalhador que recebe o piso precisa trabalhar aproximadamente 146 horas e 55 minutos para adquirir os produtos pesquisados.
Gráfico 1 – Evolução do custo médio e variação mensal da cesta básica em Araraquara – agosto/2025 a agosto/2026

Fonte/Elaboração: Sincomercio Araraquara
“Embora agosto tenha apresentado uma pequena redução, é importante observar o custo da cesta dentro de uma perspectiva mais ampla. O comprometimento da renda continua elevado e mostra como as oscilações nos preços dos produtos básicos afetam diretamente o orçamento das famílias”, explica a economista Maria Clara Kirsch, do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara.
O resultado do mês foi influenciado principalmente pelos alimentos. O grupo apresentou redução de 0,38%, passando a custar, em média, R$ 880,82. Já os produtos de higiene pessoal ficaram 1,24% mais caros, enquanto os itens de limpeza doméstica registraram alta de 0,3%.
Batata alivia a cesta; contrafilé pressiona preços
Entre os produtos que mais ajudaram a reduzir o custo da cesta está a batata, com queda de 36% em agosto. Somente esse item retirou R$ 8,17 do valor médio da cesta. O movimento foi favorecido pelo aumento da oferta da safra de inverno. A cebola também teve redução expressiva, de 16,8%, seguida pelo alho (-7,9%) e pelo feijão carioca (-6,8%).
Na direção contrária, o contrafilé subiu 4,7% e foi o produto que mais pressionou o custo da cesta em valores monetários, acrescentando R$ 8,20 ao total. Segundo o levantamento, a valorização da carne bovina está relacionada à menor disponibilidade de gado para abate e ao atual momento do ciclo pecuário brasileiro. Papel higiênico (+5,6%), salsicha (+3,6%) e ovos brancos (+3,3%) também ficaram mais caros.
“Os números mostram a importância de acompanhar não apenas a inflação mensal, mas também seu comportamento acumulado. Para o comércio e para os consumidores, entender essas variações contribui para decisões mais conscientes de compra e para um melhor planejamento do orçamento”, destaca Antonio Deliza, presidente do Sincomercio Araraquara.
Variação acumulada em 12 meses
No acumulado de dezembro de 2025 a agosto de 2026, a cesta básica encareceu R$ 34,18, o que corresponde a uma alta de 3,26%. Os três grandes grupos registraram aumento de preços. Os itens de alimentação subiram 2,7%, o equivalente a R$ 23,19; os produtos de higiene pessoal avançaram 8,06%, ou R$ 9,80; e os produtos de limpeza doméstica tiveram alta de 1,71%, equivalente a R$ 1,19.
Inflação acumulada em 12 meses
No acumulado em 12 meses, a cesta básica apresentou aumento de R$ 37,98 – o que corresponde a +3,64%. Os três grandes grupos tiveram seus preços incrementados. Os itens de alimentação subiram 2,92%, o equivalente a R$ 24,96; os itens de higiene pessoal subiram 7,94%, o equivalente a R$ 9,66, e os produtos de limpeza doméstica registraram aumento de 5% ou R$ 3,35.
Com relação aos produtos, 17 dos 32 produtos apresentaram encarecimento entre os meses de setembro de 2025 e agosto de 2026. Os itens que apresentaram maior alta acumulada foram: 1) Cebola (+141,45%); 2) Feijão carioca (+28,77%); 3) Contrafilé (+21,2%); 4) Queijo muçarela (+18,43%); 5) Papel higiênico (+17,24%). Já os que apresentaram as maiores reduções foram: 1) Alho (-33,32%); 2) Açúcar refinado (-22,46%); 3) Café torrado e moído (-18,48%); 4) Linguiça fresca (-9,89%); 5) Farinha de mandioca torrada (-9,01%).
Inflação nacional
No cenário nacional, os indicadores de preços também registraram recuo em alguns grupos relacionados à cesta básica em agosto. O subgrupo Alimentação no domicílio do IPCA-15, divulgado pelo IBGE, registrou queda de -0,55%, o subgrupo Artigos de limpeza registrou alta de 1,65% e o subgrupo de Higiene pessoal avançou 0,60% no período.
No cálculo do IGP-M, elaborado pela FGV-IBRE, o grupo Alimentação passou de uma queda de 0,74% em julho para recuo de 0,67% em agosto. Já Habitação, que incorpora o subgrupo Material para limpeza, passou de alta de 0,35% em julho para queda de 1,24% em agosto. O grupo Saúde e cuidados pessoais, que incorpora o subgrupo Artigos de higiene e cuidado pessoal passou de +0,23% para +0,22% no mês analisado.
Comparativo com a cesta básica de alimentos de capitais brasileiras
Em agosto, o custo da cesta básica de alimentos caiu em 25 capitais acompanhadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo DIEESE em parceria com a Conab. As maiores reduções ocorreram em Rio Branco (-4,68%), Manaus (-4,55%) e Boa Vista (-4,47%), enquanto Maceió (+1,43%) e São Luís (+0,78%) registraram alta.
Entre os produtos que contribuíram para a queda dos preços está a batata, que recuou em todas as capitais do Centro-Sul diante da maior oferta da safra de inverno. O café em pó e o feijão carioca também apresentaram redução em grande parte das cidades pesquisadas.
A Pesquisa de Preços da Cesta Básica é realizada mensalmente pelo Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara e acompanha a evolução dos preços de alimentos, itens de higiene pessoal e produtos de limpeza doméstica comercializados no município.
Serviço:
Sindicato do Comércio Varejista de Araraquara (Sincomercio)
Avenida São Paulo, 660 – Centro
Contato: (16) 3334-7070
economia@sincomercioararaquara.com.br
www.sincomercioararaquara.com.br/nucleo-economia
(Grupo Inca – Fernanda Chiossi /Fernanda Franco )