N/A

Aparelhos contra celulite funcionam? Especialista explica o que cada técnica faz

Drenagem linfática, eletrolipoforese, ultrassom e outros recursos têm objetivos diferentes; especialista explica por que a escolha depende do tipo de alteração encontrada na pele

O primeiro sinal de celulite costuma levar muitas mulheres à internet em busca de receitas, cremes e procedimentos capazes de melhorar rapidamente a aparência da pele. A oferta é extensa, mas os tratamentos não atuam da mesma forma e não devem ser apresentados como soluções equivalentes.

A celulite é uma alteração no relevo da pele, mais comum nas coxas, nos quadris e nos glúteos. Ela está relacionada à interação entre tecido adiposo, pele, circulação local e fibras do tecido conjuntivo, que podem tracionar a superfície e formar depressões. Por isso, não deve ser explicada apenas como excesso de gordura ou falta de exercícios.

O aspecto ondulado pode ocorrer em pessoas de diferentes pesos e não é explicado apenas por excesso de gordura ou falta de atividade física. Fatores hormonais, genéticos e a distribuição do tecido também participam desse processo. Estudos apontam que a condição é muito frequente entre mulheres após a puberdade.

“Não existe um tratamento universal. Antes de escolher uma técnica, é preciso entender o que está contribuindo para a aparência da pele e quais são as expectativas possíveis. Um recurso que ajuda no edema, por exemplo, não necessariamente corrige uma depressão profunda”, afirma a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto.

Eletrolipoforese

A eletrolipoforese utiliza agulhas finas para conduzir uma corrente elétrica de baixa intensidade na região tratada. A proposta é estimular respostas locais no tecido adiposo e na circulação.

Como envolve agulhas, o procedimento exige avaliação, higiene rigorosa, equipamento adequado e profissional habilitado. Não deve ser apresentado como técnica para emagrecimento ou como solução definitiva para a celulite.

“É importante esclarecer que a corrente não elimina gordura de forma automática. A indicação depende da avaliação do tecido, da região e das condições de saúde da paciente”, explica Mariana.

Drenagem linfática

A drenagem linfática manual é feita com movimentos leves e ritmados que favorecem o deslocamento de líquidos. Pode ser útil quando há edema, sensação de peso ou inchaço associado à celulite.

A técnica não desfaz as fibras que provocam depressões na pele, não quebra gordura e não promove uma “desintoxicação” do organismo. A redução de medidas após a sessão pode refletir a movimentação de líquidos e não uma mudança permanente no tecido.

“Drenagem linfática não precisa causar dor nem deixar hematomas. Quando a queixa principal é retenção de líquido, ela pode melhorar o conforto, mas não deve ser vendida como tratamento único para todos os graus de celulite”, diz a fisioterapeuta.

Ultrassom

O ultrassom terapêutico utiliza ondas mecânicas aplicadas por um cabeçote sobre a pele. Conforme os parâmetros utilizados, pode produzir efeitos térmicos e mecânicos nos tecidos.

Na fisioterapia dermatofuncional, o recurso pode fazer parte de protocolos para mobilidade tecidual, edema e textura da pele. A afirmação de que o aparelho “quebra a gordura” de maneira simples, porém, não representa todos os mecanismos envolvidos nem garante resultado para a celulite.

O tratamento deve ser adaptado para pessoas com alteração de sensibilidade, infecção, lesão de pele ou outras condições clínicas.

Thermojet

O Thermojet utiliza calor produzido por raios infravermelhos para aquecer a região tratada. O objetivo é estimular respostas circulatórias e metabólicas locais.

O calor pode ser usado como parte de um protocolo, mas não significa que a gordura será “derretida”. A temperatura deve ser monitorada para evitar queimaduras, especialmente em pessoas com sensibilidade reduzida.

“Sentir calor intenso não é prova de eficácia. Ardência, dor ou desconforto precisam ser comunicados durante a aplicação”, alerta Mariana.

Pressojet

O Pressojet utiliza botas que fazem compressões sequenciais nos membros inferiores. Dependendo do aparelho, a aplicação pode ser combinada ao aquecimento.

A compressão pode auxiliar no retorno venoso e linfático e aliviar a sensação de peso ou edema. No entanto, não atua diretamente nas estruturas responsáveis por depressões profundas da pele.

A técnica exige avaliação em pessoas com suspeita de trombose, doença arterial, infecções ou insuficiência cardíaca descompensada. O uso não deve ser decidido apenas pela sensação de pernas inchadas.

Estimulação russa

A estimulação russa utiliza corrente elétrica para provocar contrações musculares, principalmente em regiões como glúteos e pernas.

O recurso pode complementar o fortalecimento, mas não substitui exercícios ativos. A melhora do contorno depende também de força muscular, mobilidade, composição corporal e regularidade do treinamento.

“Se o objetivo é melhorar a sustentação muscular, a estimulação pode ser complementar. Mas ela não corrige sozinha a arquitetura da celulite”, afirma a especialista.

Endermologia

A endermologia utiliza uma ventosa, geralmente associada a roletes, para mobilizar a pele e os tecidos abaixo dela. A técnica pode melhorar temporariamente a circulação e a mobilidade local.

A intensidade precisa ser ajustada para evitar dor e hematomas. Marcas roxas não indicam necessariamente que o tratamento funcionou; podem representar trauma nos pequenos vasos da pele.

A endermologia pode integrar um plano individualizado, mas não elimina a celulite de forma permanente.

Termoliporedutor

No termoliporedutor, aplica-se um gel na região e, em seguida, uma corrente elétrica associada ao aquecimento. A proposta é estimular respostas circulatórias e metabólicas locais.

Como os nomes e os equipamentos podem variar entre clínicas, a paciente deve perguntar qual tecnologia será usada, quais são os parâmetros e quais resultados podem ser esperados.

“O nome comercial não garante segurança ou eficácia. É preciso verificar a indicação, as contraindicações, a habilitação profissional e a regularização do equipamento”, diz Mariana.

Outras opções

Radiofrequência, ondas acústicas e subcisão também aparecem nos estudos sobre celulite. A radiofrequência busca estimular o remodelamento do colágeno e melhorar a firmeza. Ondas acústicas podem atuar na textura e na circulação local. A subcisão é um procedimento minimamente invasivo que libera septos fibrosos associados a algumas depressões profundas.

Essas técnicas têm indicações, riscos e profissionais responsáveis diferentes dos recursos fisioterapêuticos. A escolha deve considerar o grau da celulite, a saúde da pele, o histórico da paciente e o objetivo do tratamento.

Avaliação evita falsas promessas

Segundo a Dra. Mariana, dor, vermelhidão, calor, inchaço unilateral ou aumento repentino de volume não devem ser atribuídos automaticamente à celulite. Esses sinais exigem avaliação antes de qualquer procedimento.

“O tratamento responsável não promete apagar todas as irregularidades. Ele explica o que cada técnica pode fazer, quais são seus limites e como preservar a segurança da paciente”, conclui a fisioterapeuta.

Sobre a Dra. Mariana Milazzotto

Fisioterapeuta com quase 20 anos de atuação, mestre em Ciências Médicas e especialista no tratamento clínico do lipedema. Criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais no atendimento a mulheres com diagnóstico confirmado ou suspeita da doença. É referência no Brasil por sua abordagem humanizada e baseada em evidências científicas.

(Tinteiro Assessoria de Imprensa)

Foto Profissional. (Crédito: FreePik)

Compartilhe :

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Laboratório da Santa Casa ultrapassa 1,7 milhão de exames e reforça papel essencial no diagnóstico

Aparelhos contra celulite funcionam? Especialista explica o que cada técnica faz

Confira as vagas de emprego disponíveis no PAT de Araraquara

Agenda Cultural

Agenda Esportiva

CATEGORIAS