Até quando vamos permitir que o jogo invada a vida das pessoas?
Na sessão ordinária da última terça-feira (8), a Câmara Municipal de Araraquara aprovou uma política para restringir a propaganda de apostas, as famosas Bets, em bens públicos, eventos realizados ou apoiados pela Administração Municipal.
É uma decisão que merece ser destacada.
Nos últimos anos, as apostas esportivas tomaram conta do cotidiano dos brasileiros. Estão nas redes sociais, nos meios de comunicação, nos celulares e, muitas vezes, são apresentadas como se fossem apenas uma forma inocente de diversão. Mas não são.
Por trás da promessa de dinheiro fácil, existe um problema que vem crescendo: o vício em apostas.
Jovens, adultos e até pessoas em situação de vulnerabilidade econômica estão sendo atraídos por plataformas que transformam o ato de apostar em uma rotina. O resultado, para muitos, tem sido o endividamento, a perda de renda e problemas familiares.
O que deveria ser entretenimento pode rapidamente se transformar em dependência.
E há uma preocupação ainda maior: nossas crianças e adolescentes estão sendo expostos cada vez mais cedo a esse universo. A propaganda sedutora, os influenciadores e a associação das apostas ao esporte ajudam a criar a falsa impressão de que apostar é algo normal e até desejável.
Não é.
O jogo compulsivo pode destruir famílias, comprometer salários e transformar uma dificuldade financeira em um problema muito maior.
Por isso, a iniciativa de Araraquara de colocar limites à publicidade das Bets em espaços e eventos públicos deve ser vista como uma medida de responsabilidade. O poder público não pode, de um lado, falar em prevenção e proteção social e, de outro, permitir que seus próprios espaços sejam utilizados para estimular o consumo de apostas.
Não se trata de proibir o cidadão de escolher. Trata-se de proteger, principalmente, quem é mais vulnerável.
Outros municípios também vêm adotando medidas para restringir a exposição da população a esse tipo de publicidade. É um sinal de que a sociedade começa a perceber que não podemos tratar as Bets simplesmente como mais um produto de consumo.
O alerta está dado.
Quando o jogo deixa de ser diversão e passa a ser necessidade, é hora de parar.
Araraquara fez a sua parte. Agora é preciso que a sociedade, as famílias, as escolas e o próprio poder público façam a sua.
Porque, quando o assunto é vício, prevenir sempre será melhor do que tentar consertar depois que o estrago já foi feito.
Foto Ilustrativa Magnific