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Instituto dos Cegos Santa Luzia volta ao centro de debates após denúncias e questionamentos na Câmara

Luigi Polezze

O Instituto dos Cegos Santa Luzia voltou a ser tema de discussão na sessão da Câmara Municipal de Araraquara realizada na última terça-feira (4). Durante o uso da Tribuna Popular, o atual presidente da instituição, Anderson Amaral, apresentou uma série de questionamentos envolvendo tanto a situação administrativa da entidade quanto fatos relacionados à gestão anterior.

Entre os principais pontos levantados está a dificuldade enfrentada pelo Instituto para obter o Certificado de Inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), documento indispensável para que organizações sem fins lucrativos sejam oficialmente reconhecidas como entidades de assistência social e possam acessar benefícios, convênios e políticas públicas destinadas ao setor.

Segundo Anderson Amaral, a instituição enfrenta dificuldades para regularizar essa situação e não estaria recebendo o atendimento necessário por parte da Prefeitura para solucionar o problema.

Questionamentos sobre a venda do antigo imóvel

Outro tema abordado pelo presidente diz respeito à venda do antigo imóvel do Instituto, localizado na Vila Xavier.

De acordo com Amaral, o imóvel foi vendido à R$ 400,00 o metro quadrado quando que – por informações próprias do atual administrador – cada metro quadrado valeria R$ 1.600,00, sendo assim vendido pela gestão anterior por cerca de R$ 1,1 milhão. Ainda segundo sua manifestação na Câmara, a atual administração não teria recebido sequer metade desse montante, levantando dúvidas sobre a destinação dos recursos obtidos com a negociação.

As declarações foram apresentadas pelo dirigente durante a sessão legislativa e, até o momento, não houve manifestação pública dos responsáveis pela administração anterior acerca das afirmações.

Histórico de denúncias

Esta não é a primeira vez que o Instituto Santa Luzia se torna alvo de questionamentos públicos.
No início de 2025, o caso já havia sido noticiado pelo Jornal de Araraquara, após denúncias envolvendo a instituição feita no Jornal da EP. Na ocasião, uma interna relatou ter encaminhado representação ao Ministério Público, alegando receio por sua integridade física. Também foram apresentados relatos de uma cuidadora que afirmava que alguns internos enfrentavam problemas de saúde e dificuldades relacionadas ao atendimento prestado.

Na época, Anderson Amaral rebateu as acusações, afirmando que as denúncias decorriam de desentendimentos internos e de um suposto sentimento de revanchismo. Segundo ele, a atual diretoria assumiu o Instituto em situação financeira e estrutural delicada, herdando dificuldades que comprometeram a reorganização dos serviços e a melhoria das condições de atendimento aos residentes.

O Jornal de Araraquara chegou a solicitar informações ao Ministério Público sobre o andamento das denúncias, mas, até a publicação desta reportagem, não havia recebido resposta oficial.

Novos desdobramentos

Com as declarações feitas na Câmara, o Instituto volta a ser alvo de atenção pública, desta vez em razão dos questionamentos sobre a venda do patrimônio da entidade e da situação envolvendo o certificado do CMAS.

A reportagem encaminhou pedido de esclarecimentos à Prefeitura de Araraquara sobre as questões relacionadas ao certificado. A administração municipal ainda não enviou uma nota oficial até a publicação dessa matéria.
Enquanto isso, os fatos seguem sem conclusão definitiva. O Jornal de Araraquara continuará acompanhando o caso e publicará novas informações à medida que os órgãos competentes e as partes envolvidas se manifestarem.

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