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08.08 – Dia Nacional de Combate ao Colesterol – O colesterol nem sempre é o vilão:  o perigo está no desequilíbrio

Em 8 de agosto é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Colesterol. Se elevado, é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Estimativas da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) indicam que cerca de 40% dos adultos brasileiros apresentam alterações nos níveis de colesterol, mas somente um em cada quatro recebe tratamento. Como este distúrbio metabólico costuma não causar sintomas, muitas pessoas convivem com a condição sem saber e permanecem sem diagnóstico, aumentando o risco de infarto e AVC.

“O colesterol não é apenas um vilão. É um lipídio essencial para o correto funcionamento do organismo. Mas, quando atinge níveis elevados, pode se tornar um problema sério de saúde. Precisamos dele, porém em equilíbrio, pois desempenha papel importante na composição das estruturas das células do coração, intestino, músculos, pele, fígado, nervos e cérebro, além de atuar na produção de hormônios e na formação dos ácidos biliares, que ajudam na digestão das gorduras”, explica o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e palestrante do CBN26.

O especialista alerta que o colesterol elevado é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, aumentando a probabilidade de eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de mortes no Brasil e no mundo.

As causas e diagnóstico

Este desequilíbrio, com taxas altas do colesterol, pode ter origem genética ou estar relacionado ao estilo de vida, como alimentação inadequada, sedentarismo e obesidade, idade e doenças associadas, como diabetes e hipotireoidismo.

Por ser uma condição silenciosa, só pode ser identificado por meio de exame de sangue simples, que deve fazer parte de todo check-up, “pois quanto mais cedo se detecta que as taxas não são as recomendadas, maiores são as chances de tratamento”, pontua o médico nutrólogo.

Como cuidar

Estratégias alimentares com maior consumo de fibras solúveis, frutas, verduras, legumes e fontes de gorduras saudáveis podem contribuir para a redução do colesterol LDL, especialmente quando associada a hábitos de vida saudáveis. Estima-se que pode chegar a cerca de 20% em alguns indivíduos.

“A dieta é um dos fatores modificáveis, considerando que a hipercolesterolemia é multifatorial. Quando apenas a mudança de hábitos não é suficiente, especialmente nos casos de predisposição genética ou outras comorbidades, o uso de medicamentos pode ser indicado, após uma criteriosa avaliação clínica e exames laboratoriais”, ressalta o Prof. Dr. Durval Ribas Filho.

Esclarecendo dúvidas

O que é o colesterol bom e o mau?

O HDL, o “bom colesterol”, ajuda a remover o excesso de colesterol da circulação, protegendo os vasos sanguíneos. O colesterol é transportado no sangue por lipoproteínas. O LDL, conhecido como “mau colesterol”, favorece o acúmulo de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares.

Como reduzir o colesterol ruim?

Mudanças no estilo de vida podem reduzir o LDL entre 10% e 15%, numa estimativa que varia conforme o paciente. Alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, entram nestas ações. A recomendação é aumentar o consumo de frutas, verduras e fibras e reduzir açúcar, gorduras saturadas e trans, alimentos ultraprocessados e embutidos, pois parte do colesterol é proveniente da alimentação e o restante é produzido principalmente pelo fígado.

Como aumentar o colesterol bom?

Além de manter hábitos saudáveis, a prática regular de exercícios físicos, especialmente aqueles que favorecem a perda de peso e da gordura abdominal, ajuda a elevar os níveis de HDL. Na alimentação, incluir aveia, frutas, legumes, gorduras boas como azeite de oliva extravirgem, abacate, nozes, castanhas, sementes de chia e linhaça; consumir peixes ricos em ômega 3 (salmão, atum e sardinha) e evitar o excesso de açúcar e carboidratos refinados.

Pessoas magras e com alimentação saudável podem ter colesterol alto?

Sim. Além dos hábitos de vida, fatores genéticos também influenciam. A Hipercolesterolemia Familiar é uma condição hereditária que eleva os níveis de colesterol e, na maioria dos casos, exige tratamento medicamentoso.

Há crianças com colesterol elevado?

Sim. A principal causa costuma ser genética, mas o aumento do sedentarismo, do excesso de telas e da obesidade infantil também contribui para alterações no perfil lipídico. A dosagem do colesterol é recomendada a partir dos 2 anos de idade, quando houver indicação médica.

Imagem – Magnific

Edna Vairoletti – (Imprensa Abran)

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