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Política e pau de galinheiro

Júlio César Cardoso (*)

Não é exagero dizer que a política nacional é mais suja que pau de galinheiro, tamanhos são os registros negativos — até policiais — envolvendo políticos. Poucos escapam dessa comparação. É lamentável a reputação do político brasileiro. Não é à toa que muitos abandonam suas profissões, abraçam a política e não largam mais, atraídos pelas vantagens do cargo.

Quando flagrados em maracutaias, juram inocência, alegam perseguição e se dizem vítimas. A história, porém, revela a face poluta do político brasileiro: não entram na política para servir à sociedade, mas para servir-se dela e alcançar objetivos escusos. Pessoas honestas não se envolvem em negócios suspeitos. Apenas aqueles que fingem virtude inquebrantável, aparentam seriedade e sabem explorar a coisa pública ou amizades duvidosas acabam acusados de práticas irregulares. Essa é a cristalina verdade.

Se, em delação premiada, o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro abrir a caixa-preta do propinoduto, grande parte do Congresso desmoronará, dado o envolvimento de seus membros em práticas corruptas. Hoje, a política brasileira transita no fundo do poço, sem que a sociedade consiga reverter a situação. Infelizmente, a Constituição nega ao povo o direito de cassar diretamente políticos corruptos, enquanto as CPIs se tornam instrumentos decorativos, sem poder de punição jurídica. O STF, por sua vez, também não pune nem cassa mandatos, já que seus ministros são fruto de indicação política.

Num país democrático, onde o povo deveria ser o principal agente da democracia, falta o instrumento do “recall”, usado em democracias avançadas, que permitiria à sociedade retirar antecipadamente da política aqueles que afrontam a liturgia do cargo. O caso Master, por exemplo, representa a vergonha envolvendo políticos e membros do Judiciário. Certamente se arrastará por muito tempo, protegido por recursos e bancadas advocatícias especializadas em defender corruptos. Provavelmente será mais um episódio sombrio que passará incólume, engrossando a história corrupta da política brasileira.

Moral da história: a política brasileira continuará suja — tão suja quanto pau de galinheiro.

(*) É Servidor federal aposentado

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