No Dia Mundial de Conscientização sobre o Câncer de Rim, especialista alerta para fatores de risco, importância do diagnóstico precoce e avanços no tratamento
Entre os tumores urológicos que mais exigem atenção devido à evolução silenciosa em grande parte dos pacientes, o câncer de rim ganha grande destaque. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a estimativa é de que até 2050, os casos na América Latina aumentem 79,8%. Esse cenário deve ser semelhante no Brasil, onde os diagnósticos podem subir 79,5% nesse período. A doença, que pode permanecer sem sintomas por longos períodos, reforça a importância do Dia Mundial de Conscientização sobre o Câncer de Rim, lembrado em 18 de junho.
Segundo o nefrologista do Grupo São Lucas, Dr. Filipe Miranda Bernardes (CRM: 202097 | RQE: 112141), muitos casos acabam sendo descobertos incidentalmente durante exames realizados por outros motivos, como ultrassonografias e tomografias. Quando surgem, os principais sinais de alerta incluem sangue na urina, dor lombar persistente, principalmente em apenas um dos lados, perda de peso sem explicação, cansaço, anemia e alterações na pressão arterial.
“A grande maioria dos cistos renais é simples e benigna, principalmente aqueles encontrados incidentalmente em exames de imagem. Os cistos simples normalmente têm parede fina, conteúdo líquido e aspecto bem característico nos exames de imagem. Esses, na maioria das vezes, não aumentam risco de câncer e muitas vezes nem precisam de acompanhamento. O que chama atenção são os chamados cistos complexos. Eles podem apresentar septações, calcificações, paredes espessadas, componentes sólidos ou captação de contraste na tomografia. Nesses casos, existe sim risco de malignidade, e a investigação precisa ser mais cuidadosa”, explica.
Entre os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer renal estão o tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, diabetes, doença renal crônica e histórico familiar da doença. Pacientes em diálise por tempo prolongado também apresentam risco aumentado para alterações renais e tumores.
“O tabagismo é um dos fatores de risco mais bem estabelecidos para o câncer renal. Os rins acabam funcionando como um filtro de substâncias tóxicas presentes no cigarro, o que aumenta significativamente o risco da doença. Em alguns trabalhos, fumantes apresentam um risco cerca de 1,5 a 2 vezes maior de desenvolver câncer renal em comparação com não fumantes”, destaca.
Para o tratamento e preservação da função renal, o diagnóstico precoce se torna primordial. Nos estágios iniciais, é possível realizar cirurgias menos invasivas e preservar o bem-estar do paciente.
“Quando o câncer é identificado precocemente, conseguimos, em muitos casos, preservar parte do rim e alcançar altas taxas de cura. Já nos casos avançados, pode haver necessidade de tratamentos mais agressivos e risco de disseminação para outros órgãos”, diz o especialista.
Embora ainda não exista recomendação de rastreamento populacional para o câncer de rim em pessoas sem sintomas, é necessária uma atenção especial aos grupos considerados de maior risco. A orientação é manter acompanhamento médico regular e investir em hábitos saudáveis.
“O câncer renal costuma ser mais comum em adultos acima dos 50 ou 60 anos e, na literatura, temos uma predominância discreta em homens. Entre as principais medidas preventivas estão parar de fumar, manter o peso adequado, controlar pressão arterial e diabetes, praticar atividade física regularmente e evitar automedicação excessiva, especialmente anti-inflamatórios”, conclui.
Sobre o Grupo São Lucas – O Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP) é uma marca de tradição, qualidade e confiança em medicina de excelência há mais de 50 anos, com médicos especialistas, atendimento humanizado e estrutura própria com alta tecnologia. É composto pelo Hospital São Lucas, Hospital São Lucas Ribeirania e São Lucas Medicina Diagnóstica. O Grupo, localizado em Ribeirão Preto (SP) é administrado pela Hospital Care, uma holding de serviços de saúde formada por mais de 30 unidades entre hospitais e clínicas, em 7 cidades do país.

Dr. Filipe Miranda Bernardes
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(Outras Palavras Comunicação)