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(EDITORIAL) Araraquara e a cultura das novas cobranças

Uma das promessas mais recorrentes em períodos eleitorais costuma ser a redução da burocracia e a criação de um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das atividades econômicas, culturais, esportivas e comunitárias. Afinal, quanto menos obstáculos forem colocados diante da população e da iniciativa privada, maior tende a ser a participação social e o crescimento das atividades que movimentam a cidade.

Entretanto, Araraquara já testemunha a implantação de novas contribuições financeiras relacionadas a atividades que anteriormente eram realizadas sem esse tipo de cobrança ou com exigências significativamente menores.

Como foi destacado durante entrevista concedida à reportagem da página 06 pelo vereador João Clemente (PP), primeiro vieram as cobranças relacionadas à utilização de determinados espaços públicos para eventos. Em seguida, novas exigências passaram a atingir feirantes e expositores, aumentando os custos para trabalhadores que muitas vezes dependem dessas atividades como complemento de renda ou principal fonte de sustento. Agora, a discussão chega ao universo esportivo, com a regulamentação das corridas de rua acompanhada da previsão de novas contribuições municipais para a realização dos eventos.

Cada uma dessas medidas pode encontrar justificativas administrativas ou técnicas. O problema surge quando a população passa a observar o conjunto dessas decisões sem perceber uma contrapartida clara e proporcional. O sentimento que se forma é o de que atividades antes incentivadas ou simplesmente permitidas passam, gradativamente, a se tornar mais caras e burocráticas — justamente uma das práticas mais criticadas durante a campanha eleitoral da atual administração.
É importante lembrar que quem promove feiras, eventos culturais, caminhadas, corridas e ações beneficentes geralmente não está apenas realizando uma atividade privada. Muitas dessas iniciativas movimentam a economia local, fortalecem o comércio, promovem saúde, estimulam o turismo interno e arrecadam recursos para entidades sociais que prestam serviços de grande relevância.

O impacto dessas cobranças não se limita ao organizador do evento. Em muitos casos, o custo adicional acaba sendo repassado aos participantes, patrocinadores ou consumidores. Em outros, simplesmente inviabiliza a realização da atividade. O resultado pode ser uma cidade com menos eventos, menor participação popular e menos oportunidades de integração comunitária.

Araraquara sempre se destacou pelo forte envolvimento de sua população em ações esportivas, culturais, comerciais e beneficentes. Preservar esse espírito participativo deveria ser uma prioridade permanente. Afinal, uma cidade cresce não apenas pela arrecadação de seus cofres, mas também pela capacidade de estimular seus cidadãos a empreender.

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