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Evento reúne especialistas e destaca pesquisas conduzidas na Uniara com tecnologia inédita na América Latina

Cidade reforça protagonismo em pesquisas sobre a conexão entre intestino e cérebro

Araraquara (SP) foi palco de um curso de extensão internacional voltado ao estudo da microbiota intestinal e sua influência no estresse e na saúde mental, tema que segue em alta na pesquisa científica. Realizado pela Universidade de Araraquara (Uniara) em parceria com a Apsen, indústria farmacêutica nacional e familiar, o encontro reuniu palestrantes nacionais e internacionais para discutir avanços científicos relacionados ao eixo intestino-cérebro, inflamação e microbiota.

O evento acontece em um momento de crescente interesse científico sobre a relação entre saúde intestinal e saúde mental. A Uniara possui um dos únicos equipamentos SHIME® (Simulator of the Human Intestinal Microbial Ecosystem) da América Latina. Essa tecnologia é capaz de simular o funcionamento do trato gastrointestinal humano em laboratório e que vem sendo utilizada para investigar como o intestino, muitas vezes chamado de “segundo cérebro”, pode influenciar a saúde mental.

Foi com o uso dessa tecnologia, que a Profa. Dra. Katia Sivieri, pesquisadora vinculada à Universidade Estadual Paulista (Unesp) e à Uniara, conduziu uma análise que investiga como alterações na microbiota intestinal podem impactar diferentes condições de saúde, incluindo processos inflamatórios e aspectos relacionados à ansiedade e estresse.

Estudo que investiga a relação entre antidepressivos, microbiota intestinal e saúde mental.

Um dos estudos conduzidos com o equipamento, na Uniara, utiliza uma tecnologia capaz de reproduzir, com alta precisão, o funcionamento do sistema gastrointestinal humano. Foram analisadas amostras fecais de quatro pacientes com ansiedade que fazem uso contínuo, há mais de um ano, de antidepressivos comuns no tratamento da ansiedade e da depressão (conhecidos como ISRS). Esses indivíduos utilizaram por 14 dias as cepas Lactobacillus helveticus R0052 e Bifidobacterium longum R0175 (Probians), com suas diferentes e respectivas funções, que são “bactérias benéficas” que equilibraram o funcionamento da microbiota com repercussões relacionadas a melhora do estresse e ansiedade.

Os resultados do estudo SHIME indicam que o uso prolongado de antidepressivos pode desregular o funcionamento do intestino, causando mudanças na microbiota intestinal. Já o uso das chamadas “bactérias benéficas”, Lactobacillus helveticus R0052 e Bifidobacterium longum R0175, mostrou potencial para reequilibrar esse ambiente, fortalecendo o intestino e favorecendo seu funcionamento.

Na prática, os achados apontam que probióticos podem ajudar a amenizar efeitos adversos desses medicamentos no sistema digestivo. Esse conjunto de evidências reforça uma mudança de olhar na ciência: cada vez mais, o intestino deixa de ser visto apenas como parte da digestão e passa a ocupar papel central na saúde como um todo, incluindo o bem-estar mental. O estudo faz parte de uma linha de pesquisa que investiga a conexão entre intestino e cérebro, uma relação que pode influenciar desde a resposta a medicamentos até aspectos ligados ao humor e à ansiedade.

(Tino Comunicação – Vinicius Volpi)

Fotos: Apsen Divulgação

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