Vera Botta (*)
Na democracia vale tudo?
Estamos a 20 dias de uma eleição difícil e fundamental para os destinos da cidade. Apelos dramáticos juntam-se a uma desordenada corrida para se conseguir votos. A propaganda veiculada no horário político gratuito começa a aquecer as turbinas. Infelizmente, nem sempre se discute a cidade, seus problemas e as perspectivas de torná-la mais humana e solidária. Aliás, solidariedade parece ser um valor ausente deste conturbado jogo eleitoral. Na disputa pela Prefeitura, encenações buscam confundir a opinião pública. Será que na política a prática do sensacionalismo, das frágeis acusações e das promessas vãs não cumpriu em ciclo a ser encerrado? Será que ainda se acredita que a população não presta atenção no desenrolar dos acontecimentos? Por que insistir em informações bombásticas de credibilidade duvidosa? Afinal, a democracia não sugere debate de idéias, de programas alternativos de geração de trabalho e de renda, de vontade política de se enfrentar ou não o crescimento anárquico da cidade?
Não estamos diante da escolha de projetos pessoais. Trata-se da gestão da cidade, de nossa Araraquara, da morada dos nossos sonhos e lutas… A Coluna arrisca: Vamos deixar as vaidades e as maledicências à parte?
E a disputa na Câmara?
Clima de apreensão. Como será uma Câmara de 12 vereadores? E as Comissões Permanentes? O que será situação e oposição em uma Câmara de 12? As perguntas se atropelam, depois perdem o vigor… No clima do “salve-se quem puder”, os candidatos a vereador aparecem como figuras de um cinema mudo… Dispõem de 15 segundos no rádio e na TV – imaginem o que não se pode fazer com tanto tempo!!! – para convencer os telespectadores de seus projetos, de sua integridade de caráter e de sua proposta inovadora!!! Os candidatos a vereador não puderam escolher a forma do programa. Por que não um debate ou uma exposição de idéias sobre o que é ser vereador? Por que não mostrar o cotidiano da Câmara? Sob o argumento de que a democracia deve dar a todos os mesmos direitos, muitas vezes, nivela-se por baixo, em prejuízo da própria decisão que se pretende democrática…
Como mudar as regras deste jogo?
Será que a composição da Câmara não tem influência no futuro da cidade? Tem sim, e muita… A Câmara tem que ser muito qualificada para não ser despachante do Executivo. Araraquara merece e quer uma Câmara cidadã!!! Por isso, independentemente do tempo cronometrado, da quase inexistente oportunidade de expor o que se pensa da atuação parlamentar, é preciso, mais do que nunca, estar vigilante e atento…
De olho na Câmara que é, independentemente de marketings positivos ou negativos, uma instituição que deve democraticamente ser representativa da cidade e defender interesses coletivos…
O que se ouve pela cidade
Nossa! Mas quantos candidatos? 205, 210? E quantos votos vão precisar? Por que os partidos não orientaram melhor a escolha dos candidatos? E o financiamento de campanha, está sendo olhado? Usar artifícios para seduzir o eleitor é ou não crime eleitoral? Como se pode demarcar a fronteira entre o que é moral e imoral nesta disputa nem sempre democrática???
A Coluna fica por aqui, registrando a nossa indignação pela não votação do Plano Diretor… Sob o falso argumento da proximidade eleitoral, deixou-se de votar um projeto vital para o futuro da cidade… Ou melhor, acabou prevalecendo a política do vamos adiar para não nos comprometer… Para sua reflexão neste momento tão importante, algumas palavras de Frei Beto com as quais compartilho. “Pobre política dos tapinhas nas costas, mãos ansiosas por punhais sob sorrisos amarelos desenhados nos potes de mágoas derramados no coração. Pobre política do “ouvi dizer”… Pobre política que soma votos subtraindo princípios, faz conchavos inconfessáveis e promove acertos guardados no cofre de sigilos inomináveis”.
Para terminar mesmo, lanço um desafio: vamos deixar de fazer política como competição mesquinha? Boa semana a todos! Até a próxima!
(*) É pesquisadora da Uniara.