Nos últimos dias do ano – como os que hoje vivemos – é comum nosso pensamento voar para inventariar o que realizamos durante o período em finalização e – o mais importante – criar as bases e a linha de raciocínio para enfrentar e administrar o novo ano que se aproxima. Quem consegue sair de 2025 satisfeito com as realizações, além de considerar-se vitorioso, tende a estar no caminho indicado para ter o 2026 igualmente, podendo, ainda, aproveitar as experiências adquiridas para ter mais sucesso. Os que terminam o ano de maneira inglória devem, sem demora, analisar onde erraram ou deixaram de aproveitar as oportunidades para, com isso, estabelecer novo percurso para os próximos 365 dias.
Sempre é tempo para corrigir atitudes e procedimentos e transformar dificuldade em vitória e alcançar mais facilmente a satisfação e o bem-estar. É certo que, além do procedimento pessoal, importantíssimo em todos os sentidos, dependemos da situação do País, do Estado e do município, para os quais elegemos os governantes, nas últimas eleições.
Infelizmente, temos vivido um período dos mais difíceis. A nefasta polarização política tem levado esquerda e direita a lutar ferozmente na tentativa de destruir o adversário. Enquanto os grandes partidos e agrupamentos ideológicos lutam, os intermediários buscam tirar vantagem da situação e nenhum deles cuida, efetivamente, dos problemas nacionais, estaduais e municipais.
Num regime democrático, como o que se apregoa o Brasil, é certo todo cidadão portador de título eleitoral sentir-se responsável pelo voto que depositou em favor dos governantes e parlamentares do País, do Estado e do município. Se os governos vão bem, é decorrência de cada voto depositado nas urnas, da mesma forma que, quando vão mal, a culpa é do eleitor, que não teve a necessária competência para eleger os melhores. O mesmo ocorre com senadores, deputados (federais e estaduais) e vereadores que bem escolhidos e sufragados tendem a cumprir melhor as obrigações de seu posto.
O ano de 2026 será importante porque o País renovará os mandatos do presidente da República, dos governadores, de dois terços dos senadores e da totalidade dos deputados federais e estaduais. O ideal seria que cada eleitor, antes de decidir em quem votar, procure saber o que fizeram os que receberam seu voto nas eleições passadas e só depois desse conhecimento decida em quem votar desta vez. O voto errado é fator de atraso à Nação porque, além de não trabalhar, o mau político ocupará o lugar que outro, melhor avaliado, poderá trabalhar e promover o desenvolvimento comunitário.
A política brasileira tem gerado grandes embates e desavenças. Enquanto brigam politicamente, os titulares de mandatos e de postos institucionais deixam de trabalhar pela sociedade. Não estamos aqui para fazer campanha para candidatos, mas nos sentimos na obrigação de apontar comportamentos que atrasam a sociedade e a vida do povo.
Com a grande quantidade de veículos de imprensa e meios de comunicação (a internet, por exemplo) não é difícil saber o que andam fazendo os políticos que elegemos nas eleições passadas. Esse, sem qualquer dúvida, será o melhor indicativo para sabermos se o escolhido no passado continua (ou não) merecendo admiração, respeito e, principalmente, o voto.
O eleitor que conseguir votar com critério pode proporcionar uma vida melhor para toda a população, inclusive para ele próprio, sua família e até às futuras gerações. Quem votar por ideologia, por ódio ao outro candidato ou votar por votar, no final, todos podem sofrer as consequências.
Pensamos que a política brasileira se encontra no preocupante impasse de hoje porque os eleitores nunca tiveram a preocupação de “fiscalizar” os homens e mulheres que elegem para os cargos públicos de representação. A partir do momento em que o eleitor passar a cobrar atitudes de seus governantes ou parlamentares, eles próprios vão se cuidar na certeza de que, não fazendo o que o povo quer, perderão os votos que os elegem. O eleitor tem de lembrar que o político que recebeu seu voto tem o dever de atender aos seus interesses. Se não o fizerem, não merecem o mandato; podem ficar com todo o tempo livre e ir cuidar dos seus interesses. Mas sem receber subsídios, mordomias e honras do posto de representação.
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)
tenentedirceu@