O jornalista e radialista Wagner Bellini, desde os tempos saudosos da Rádio “A Voz da Araraquarense” tornou-se marcante por seu timbre e perspicácia na observação dos fatos esportivos.
É do tempo em que o repórter se aninhava no idealismo para informar, e muitíssimo bem. Por isso, a confiabilidade até hoje quando exerce a função ao microfone e pelas páginas da Tribuna Impressa. O festejado homem de comunicacão é indicado pela Sarah Coelho, a colaboradora do JA. Um espaço de saudade e ação, Wagninho… num contexto imperdível.
JA- Está otimista em relação ao futebol brasileiro?
W.J.B.- Além da conta, afinal, o Brasil produz um craque a cada dia e são incontáveis os jogadores lançados na vitrine. Apenas discordamos da atual política (Lei Pelé) em vigência no futebol, onde a figura do empresário (ou atravessador, como queiram) sobrepõe aos interesses financeiros dos clubes. Resumindo, o empresário está cada vez mais rico e o clube cada dia mais capenga.
Por que o nome “Olho Vivo” à sua coluna?
Acho que tem tudo a ver com nosso perfil de trabalho; a coluna foge um pouco do trivial e se centraliza mais em questões polêmicas, principalmente as que envolvem os bastidores do futebol. Há pessoas que rotulam este jornalista como sendo um “chato pegajoso”, mas essa tem sido nossa atuação na imprensa ao longo dos últimos 30 anos (ou mais) de profissão.
Qual Copa do Mundo ficou marcada na sua memória?
A de 70, sem medo de errar. Era uma seleção que jogava por música. Tivemos o privilégio de ver o “monstro” Pelé comandar o Brasil na conquista do tri. Tostão, Rivelino, Gerson, Jairzinho, Clodoaldo, Carlos Alberto jogavam muito.
Quais foram os maiores desafios de sua carreira?
Foram vários, principalmente no rádio. Um deles é que até hoje, por exemplo, somos uma pessoa “adorada” pela torcida do Botafogo de Ribeirão. Na época em que atuava como repórter de campo, na Rádio Cultura, por pouco não acontece um linchamento em pleno estádio Santa Cruz. Irados, alguns torcedores procuravam (vivo ou morto!) o Wagner de Araraquara. “Para sua segurança será melhor você se esconder na cabine, aqui embaixo (no gramado) a coisa poderá ficar complicada”, aconselhou, na ocasião, um colega de rádio. E o motivo é que denominamos aquela semana do clássico entre Botafogo e Ferroviária, pelo Campeonato Paulista da Especial, como sendo a “Semana do Freguês”. O Botafogo era nosso “freguês de caderneta” e isso a torcida não engolia.
Qual a sua expectativa quanto à Ferroviária?
A continuar o trabalho que a S.A. no comando do futebol profissional do clube, a melhor possível. O trabalho realizado está sendo sério, dentro e fora do campo. O time tem tudo para subir de divisão em 2005 e em três anos estar de volta ao “grupo de elite” do futebol paulista. Essa é a esperança da torcida. E nossa também.
Pessoas envolvidas com o esporte têm mais chances de manter grupo de amigos?
Sem dúvida alguma. O esporte faz amigos e esse é um ditado que prevalece ao longo dos tempos.
O esporte mantém a qualidade da vida?
Em todos os sentidos e em qualquer momento.
A bebida e o cigarro podem fazer parte da vida de um atleta?
De maneira alguma. Hoje, é coisa rara você observar um atleta com o cigarro na boca. Muito menos com a cara cheia. Os tempos mudaram, para melhor, felizmente.
Você já se envolveu em brigas pelo rádio?
Não muitas e quando aconteceram não passaram do bate-boca, sem conseqüências danosas às partes. “Brigar” por uma causa justa, seja ela na vida pessoal ou profissional, é coisa que faz parte do cotidiano de qualquer ser humano integrado à comunicação.
O que mais mudou sua vida atuando na imprensa?
Muito respeito ao semelhante, principalmente aos colegas da área.
Qual atleta você mais admira?
São vários, mas poderia citar dois por considerá-los “Fenômenos”: Edson Arantes do Nascimento (Pelé) e o nosso saudoso Ayrton Senna.
Como mantém seus amigos?
Sempre por perto, independente de profissão, religião ou raça.
Que mensagem você deixa aos leitores do JA?
Que Deus ampare a todos.