Você pode ser herói

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José Renato Nalini (*)

O mundo precisa de heróis. E você pode ser um deles. Não é preciso perpetrar fabulosas façanhas. Basta fazer aquilo de que o mundo precisa. E do que é que o mundo anda precisando? De pessoas sensíveis e conscientes, que se apiedem dele. Que o não maltratem, como tem sido até agora. Uso indiscriminado, abusivo e fatal dos recursos naturais, todos finitos. Desconsideração geral para com a água, o mais precioso líquido, sem o qual não há qualquer hipótese de vida.

Gestos anônimos de pessoas que constatam o estado de necessidade do planeta podem fazer a diferença. Conheço um jovem que começou a plantar árvores em sua cidade. Convenceu seu pai a acompanhá-lo. O idoso, que já não se entusiasmava com nada, foi despertado para a causa. Hoje, a cidade deles é outra.

Já comentei o belo exemplo de um morador da Zona Leste paulistana, ainda hoje um espectro mais cinza do que verde, que recuperou a mata ciliar de um córrego e criou – sozinho – verdadeiro parque.

Menciono agora o paranaense Diego Saldanha, de 37 anos, que vive em Colombo, região metropolitana de Curitiba. O rio Atuba, no qual brincava quando criança, foi inteiramente poluído. É o que acontece com a maior parte dos riachos, córregos e rios, emporcalhados pela falta de educação ambiental que predomina. Ele construiu uma barreira de garrafas pet para recolher todo o resíduo sólido da água

Deu certo. O projeto foi chamado “Eco Barreira Rio Atuba” e Diego ganhou, no ano passado, a 13ª edição do Prêmio Hugo Werneck, na categoria melhor exemplo de iniciativa individual.

Além desse trabalho sozinho e concreto, Diego estudou e se aprofundou em ecologia. É palestrante e criador de conteúdo nas redes sociais, como influencer de mais de dois milhões de seguidores no TikTok, Instagram e YouTube. Já retirou mais de vinte toneladas de lixo das águas. A qualidade melhorou e sua iniciativa ajudou a evitar os alagamentos.

São três exemplos de algo que muda o panorama de abandono das cidades. Tenho a certeza de que em sua cidade haverá alguma coisa a ser feita. Fazer mudas, formar viveiros, replantar. Ajudar a limpar os espaços tomados por resíduos sólidos. Restaurar matas ciliares. Há um campo de trabalho imenso, à espera das melhores almas. Espero que você venha a ser uma delas. As futuras gerações agradecerão.

(*) É Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo. (Imprensa Renato Nalini)

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