Vivendo na rua

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Reportagem: Luigi Polezze

Em meio à crise na qual o país passa, com desemprego, inflação acima do teto previsto, preço dos alimentos em constante elevação, combustível, gás, energia elétrica, torna-se cada vez mais difícil manter qualidade de vida. No geral, o brasileiro está mais pobre e come pior (se é que consegue todas as refeições). Infelizmente, estamos vivendo mal. Pois, as pessoas nas ruas estão em maior número, também, como um reflexo da intensificação da crise econômica. Trata-se de fenômeno nacional.
O JA foi conversar com um grupo de moradores de rua entre a praça Pedro de Toledo e a praça em frente à Igreja Matriz. Desde logo, mudou-se impressão comum: ao contrário do que muitos pensam, o grupo de moradores de rua em questão é educado e mantém uma certa ordem nas praças que eles chamam de “casa”.
Tivemos a oportunidade de entrevistar um dos integrantes do grupo, conhecido como “Amém”. Ele nos contou que vive na rua há mais de vinte anos, mudou-se para Araraquara nesse ano e fez inúmeras amizades no local. “Amém” relata como os programas do governo e as ONGs locais são as mais presentes que ele já viu, sempre disponibilizando roupas e comida para aqueles que necessitam. Ponto positivo para nossa comunidade.
“Amém” relata que possui um problema em seu joelho, tendo colocado um parafuso no local, o que lhe gera inúmeras dores. Pelos inúmeros trabalhos informais, ele ainda não conseguiu encontrar um modo de aposentar-se, ele nos conta como não conseguiu alguém que fosse capaz de guiá-lo pelo processo de conseguir seu benefício. O exemplo de “Amém” repete-se em outros, que, efetivamente, não conseguem um dinheiro mínimo.
O morador de rua ainda nos conta como fez inúmeros “bicos” ao longo de sua vida, mas hoje ele é incapaz de subir até lances de escadas. Sua única família é a mãe, mas “Amém” não deseja pedir ajuda dela: “a mulher já deu seu sangue e suor para fazer de mim o homem que sou hoje”.
Vale destacar que o grupo de moradores conta com a companhia de dois cães, cuidados de forma voluntária por veterinários preocupados. É empatia que os mantém em pé hoje.
Verdade que o grupo em questão está aparentemente amparado nas necessidades mais elementares e os órgãos envolvidos merecem elogios pelos cuidados. Ainda assim, cabe questionar: como fornecer uma educação e renda mínima para essas pessoas? As questões relacionadas são de natureza variada, delicadas, passando por educação; às vezes, por falta de amparo familiar; violência, discriminação, drogas. Ou seja, não, não existe resposta fácil.
De qualquer forma, registramos a impressão de que, ao menos a esse pequeno grupo, a solidariedade da comunidade está fazendo a diferença positivamente.

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