Vera Botta (*)
Por trás dos bastidores da política: cobranças, deveres, prazeres…
Respira-se política em todos os cantos da cidade. Ainda que a secura do ar e as queimadas impeçam as pessoas de deixar os pulmões livres de contaminação…Vive-se um momento decisivo para o futuro da cidade, dos cidadãos… Mesmo os que se dizem indiferentes ou absolutamente alheios à vida política convivem, no dia a dia, com imagens e palavras referentes às eleições.
Por que a resistência tão forte à política e aos políticos?
Por que considerar o horário político gratuito que entra, sem pedir licença em todas as casas, como algo abusivo? Por que a dificuldade de associar campanha à democracia, à importância do voto, arma decisiva em nossa história… Por que não falar da conquista do voto a setores que eram considerados incapazes ou irresponsáveis para decidir o futuro da nação?
Afinal, as mulheres só começaram a votar há 70 anos e o conseguiram com lutas, com firmeza, com a convicção de que votar e participar não são atributos masculinos. Por trás da conquista do voto, têm enfrentado a difícil batalha pelos direitos, contra a discriminação, contra as desigualdades que ainda existem, aqui e acolá…
E o jovem? O voto aos 16 anos é visto como algo imposto ou como um instrumento de acesso à cidadania?
Há muito por caminhar
Percebe-se que há muito por caminhar. Para que o voto, expressão simbólica e real de participação, de livre direito à escolha seja, de fato, encarado como uma legítima conquista que não pode ser desperdiçada, nem olhada com desdém…
Para isso é mais do que nunca necessário que seja mudada a concepção de política como um favor. Que sejam definitivamente fincadas as raízes da política como o campo dos direitos, da ética, do livre debate de idéias… E é preciso, dia a dia, investir em mudanças…Não fazer deste momento pré-eleitoral um fardo de desprazer…Por que não pensar na política como uma arte necessária para o exercício da ética, como uma boa sementeira??? Comecemos por falar de momentos prazerosos e de homenagens vividas por Araraquara ao longo da semana.
Loyola e seu amor pela cidade
São dezenas de livros, muitos premiados, outros traduzidos em várias línguas. São crônicas semanais. São palavras ditas e escritas cujo elo passa pelo amor incondicional de Loyola à cidade.
Na crônica de aniversário dos 187 anos de Araraquara, Inácio uniu a estação, o relógio, o trem e um amor platônico para falar das suas, das nossas raízes. E ao falar que os trens pareciam ter um letreiro estampado VIDA-FUTURO-SONHO nos fez pensar no orgulho de sermos araraquarenses e termos fortemente enraizada a tradição da ferrovia, parte de nossa história.
Ao dizer da emoção do seu pai, seu Brandão olhando acessórios e instrumentos do Museu Ferroviário, me fez sentir saudades… O lançamento do seu último livro “Melhores Crônicas” no último dia 23 mostrou que os araraquarenses também o amam Loyola. Na saída, ouvindo o barulho do trem falou, em desabafo “isto soa como música aos meus ouvidos”. Não é por nada que nosso coração bate forte ao saber que você tem a Morada do Sol como referência de vida.
Mônica Zaher, cidadã araraquarense
Tivemos, no dia 25, outro momento prazeroso. Homenagem justíssima prestada por Turquinho ao Colégio Objetivo e à Mônica. É dela que quero falar, do fundo da alma. Como alguém incansável na luta por semear educação e cultura, recebeu da Câmara Municipal o reconhecimento de uma vida de semear sonhos, formar e educar jovens como seus pontos de luz.
Meteoros inesperados não ofuscaram o brilho, a luminosidade e a justiça da homenagem prestada à Mônica.
A Coluna fica por aqui. Convidando o leitor a pensar nos prazeres e deveres de ser cidadão araraquarense!!! Que o momento presente seja visto como mais um desafio de nossa Araraquara. Boa semana a todos e até a próxima!
(*) É pesquisadora da Uniara.