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Vera Botta (*)

Criança: esperança do que pode ser

Uma semana especial em um momento definitivo para o futuro do povo brasileiro. Estamos às vésperas da decisão da primeira eleição presidencial brasileira do século 21. Mais do que nunca, precisamos de uma alternativa à exclusão que inclua a esperança, os sonhos e eleve a auto-estima de crianças e de jovens, de segmentos que têm sido postos à margem, como se fossem protagonistas mudos de nossa história.

O dia da criança e do Professor estão próximos em nosso calendário. Por casualidade? Ou como um sinal de alerta? A proximidade pode ser vista como um apelo, do fundo da alma, para que sejam dadas chances às crianças de estarem na escola e aos professores para terem resgatada sua dignidade.

Infelizmente, as crianças, cada vez mais, estão sendo socializadas para viver a infância, não como o momento da esperança e do sonho, momento do que será. Criança sem infância. Prova inconteste de que o marketing de venda de imagens de crianças bem nutridas, com lindos dentes, como se a todos fossem estendidos direitos de saúde, escola, família bem estruturada, lazer não corresponde à realidade.

Por sua vez, os professores têm sido literalmente abandonados pelos Poderes. Temos, lamentavelmente, convivido com uma progressiva desvalorização dos profissionais da educação, em uma triste associação entre desqualificação, autoritarismo e violência. Neste momento decisivo, de construção de um novo projeto de nação, é necessário um novo olhar para as crianças, para os professores, para, de fato, termos um Brasil diferente. Que possa negar veementemente a transformação da infância e da educação em sucata, reunindo esforços para reinventar o futuro e fertilizar a esperança.

Como vão as crianças de nossa terra?

Com certeza, têm mais motivos para sorrir. A irradiação ampliada de escolinhas de futebol nos bairros é, sem dúvida, motivo de orgulho de nossa administração. Perspectivas de participação nas oficinas culturais têm levado brilho, alegria a muitas crianças e adolescentes de nossa Morada.

Iniciativas da Prefeitura têm posto em prática projetos dirigidos às crianças – de todas as idades – que têm deficiência e nem por isso deixariam de ter desejos, sonhos e vontade de ver sua situação modificada. A inauguração da piscina da Udefa (dia 9) merece aplausos!

Temos problemas, sim. Nossa Velha Senhora assume um ar entristecido. Quantas crianças temos fora da escola? Por quê? Faltam vagas nos CER’s? As cláusulas do Estatuto da Criança e do Adolescente nem sempre são cumpridas? O índice altíssimo de adolescentes grávidas em nossa cidade teve uma redução, felizmente, mas é preciso caminhar mais. Criar melhores condições para que, de fato, o Programa do PAISA – Programa de Atendimento Integral à Saúde do Adolescente – seja a referência – por que não nacional? – para a integralidade das ações educativas. Problemas que têm sido enfrentados com vontade política de comemorar, neste começo de milênio, uma Semana da Criança diferente, com cara de esperança. Passada a festa, os doces, os risos – sempre bem-vindos – o que queremos é não deixar nossas crianças à mercê de um futuro vazio e opaco. Queremos que no projeto de mudança do Brasil, tenhamos como elo central a perspectiva concreta de eliminar a existência de crianças sem infância. É preciso mais do que bonitos slogans para presentear as crianças de nossa terra. É preciso reconhecer que, sem investir nas crianças, o futuro estará suprimido. E, com ele, a esperança.

Sonhos e esperanças que o governo estadual, em mais um episódio do jogo de armadilhas eleitoreiras, está tentando manipular, com a distribuição “gratuita e generosa” de kits brinquedos e kits livros nas escolas da rede. A Coluna pergunta: manipular esperanças não é crime eleitoral?

Um presente especial

Nossa Velha Senhora Araraquara abriu-se em um sorriso brilhante quando soube da inauguração da Escola de Dança “Iracema Nogueira” neste sábado (12), Dia da Criança. Um projeto inovador, levado adiante por Gilsamara Moura, presidente da Fundart e pela Secretaria Municipal da Cultura, dada a perspectiva de investimento na formação em dança de crianças de baixa renda. Afinal, os excluídos também podem ter sonhos de expressão artística. E por que não realizá-los?

Mais do que um nome, uma vida

Esta escola de dança, experiência louvável de ousadia, responsável por intensa e recente mobilização do movimento artístico, não poderia ter outro nome. Dª Iracema Nogueira marcou o início da história da dança em nossa cidade. De uma garra inabalável, Dª Iracema fez da Escola de Música e Dança “Villa Lobos” o norte de sua vida. Vaidosa, extremamente franca – dessas franquezas que quase não existem mais – ia direto ao assunto, sem sutileza, sem covardia. Não tinha limites físicos e cronológicos para levar adiante seus sonhos, a expressão de seu querer, de sua luta, cuja chama permaneceu acesa. Nos seus vôos, muitas vezes ousados, queria contratar bailarinos e lutar pela vanguarda artística de nossa Morada. Com certeza Dª Iracema, parte do grupo de mulheres que não têm idade, nem freios para corajosamente seguir seus passos, deve estar, da onde estiver, nos olhando, imaginado se tudo vai ser feito direitinho, sem meias verdades. Em um misto de orgulho por ver parte de seu sonho realizado e de alegria, por sentir que criança esperança pode não ser apenas um slogan, mas uma realidade. A todas as crianças e professores da cidade que amo, meu abraço. Até a próxima!

(*) É vereadora pelo PT e pesquisadora da Uniara.

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