Veracidade

Vera Botta (*)

Páscoa: o grito de vida dos sentimentos

Celebrar a Páscoa pode nos levar a uma profissão de fé em um mundo melhor, mais justo e solidário. Reafirmamos na Páscoa nossa fé na vida.Vivemos numa lógica que nos faz acreditar que tudo tem um começo, meio e fim. Nossa vida, nossas relações, nossos projetos…A Páscoa, em sua simbologia religiosa coloca em xeque a racionalidade que parece extirpar das pessoas o sentir, o olhar ao lado, o ser solidário…Transformando-as em ilhas isoladas…Resgatar nossa alma, nossa capacidades de sonhar, de cultivar a utopia como o terreno de nossa liberdade é mais do que necessário nesse mundo de tantos individualismos e de sentimentos fraturados…

Quem sabe não poderemos nos libertar dos mandatos do consumo e suprir nossas carências com espaço para mais diálogo, ternura, solidariedade…Quem sabe – oxalá possamos!!! seja possível transformar esta estranha simbologia da morte e da vida em uma ressurreição que comece em nós e possa ser irradiada para muitos. A Páscoa nos convida para uma reflexão. Nos propõe um pacto de ressurreição de nossos ideais, sejam eles individuais e/ ou coletivos.

A ressurreição não tem idade

A Coluna propõe. Que tal investirmos esforços prioritários no cuidado com o nosso futuro enquanto humanidade??? Que tal fazermos a parte que nos cabe neste processo??? Carregamos muito peso inútil. Largamos no caminho objetos que poderiam ser preciosos e recolhemos inutilidades. Por que não inverter este percurso??? Por que não iniciarmos o movimento de ressurreição pelo resgate da infância, da adolescência e da velhice??? Por que não acabar com os preconceitos e tabus que levam os velhos a ser marginalizados!!! Ausência de sonhos, de perspectivas de mudança não pode ser o único horizonte de quem deu a vida pelos outros, sem pedir nada em troca.

Sem preconceitos

Existir no tempo nos foi mostrado como uma corrida infausta: cada dia, uma perda, cada ano, um atraso. Tememos a velhice pela sua marca de incapacidade e de isolamento. Parece algo a ser evitado como uma doença…Palavras significam emoções e conceitos, portanto preconceitos. Por que não decretar morte aos preconceitos??? De sexo, de idade, de cor!!! Por que não celebrar a vida sabendo que sempre é possível fazer alguma coisa, mesmo quando nos dizem que não!!! E viva a vida que tem sempre dignidade, aos 12, aos 30, aos 70 anos!!! Basta a gente não se deixar corroer pelos sentimentos mesquinhos e pensar que a vida se faz presente nos animais que amamos, nos recursos da natureza que não podemos depredar, no nosso próximo que muitas vezes quer uma palavra, um ombro amigo e nos esquivamos…

Para celebrar a história dos sentimentos

Tomo de Lya Luft os contornos desta história recebida por ela de Martha Herzberg, terapeuta fantástica…tais palavras foram escolhidas por mim como um presente aos meus leitores pela Páscoa.

"Os Sentimentos Humanos certo dia reuniram para brincar. Depois que o Tédio bocejou três vezes porque a Indecisão não chegava a conclusão nenhuma e a Desconfiança estava tomando conta, a Loucura propôs que brincassem de esconde-esconde. A Curiosidade quis saber todos os detalhes do jogo, e a Intriga começou a cochichar com os outros que certamente alguém ali iria trapacear.O Entusiasmo saltou de contentamento e convenceu a Dúvida e a Apatia, ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. A Verdade achou que isso de esconder não estava com nada, a Arrogância fez cara de desdém, pois a idéia não tinha sido dela, e o Medo preferiu não se arriscar: Ah, gente, vamos deixar tudo como está, e como sempre perdeu a oportunidade de ser feliz. A primeira a se esconder foi a Preguiça, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava.

O Otimismo escondeu-se no arco-íris, e a Inveja se ocultou junto com a Hipocrisia, que sorrindo fingidamente atrás de uma árvore estava odiando tudo aquilo. A Generosidade quase não conseguia se esconder porque era grande e ainda queria abrigar meio mundo, a Culpa ficou paralisada, pois já estava mais do que escondida em si mesma, a Sensualidade se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem fingida; o Egoísmo achou um lugar perfeito onde não cabia ninguém mais. A Mentira disse para a Inocência que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente acabou afogada, a Paixão meteu-se na cratera de um vulcão ativo e o Esquecimento já nem sabia o que estavam fazendo ali".

O encontro do AMOR

"Depois de contar até 99 a Loucura começou a procurar. Achou um, achou outro, mas ao remexer num arbusto espesso ouviu um gemido: era o Amor, com os olhos furados pelos espinhos. A Loucura o tomou pelo braço e seguiu com ele, espalhando beleza pelo mundo. Desde então o Amor é cego e a Loucura o acompanha. Junto fazem a vida valer a pena mas isso não é coisa para os medrosos nem para os apáticos, que perdem a felicidade no matagal dos preconceitos, onde rosnam os deuses melancólicos da acomodação".

A Coluna fica por aqui. Desejando a todos uma Páscoa que seja a verdadeira celebração da paz e do amor. É isto que da sentido à vida. Um abraço solidário a todos. Boa semana e até próxima

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