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VeraCidade

Vera Botta (*)

Liberdade, liberdade em tempo de corrupção

Dia 7 de setembro. A marca histórica de nossa independência política sempre se prestou a manifestações de protestos expressas nos gritos dos excluídos. Neste ano, as mobilizações, em sua maioria tiveram como tônica o grito contra a corrupção na política, a reivindicação por justiça e punição aos envolvidos na crise ética e moral que tem paralisado o Congresso, provocando indignação na população brasileira.

Esclarecer é preciso

Nossa história tem, infelizmente, desde a colonização, convivido com saques e pilhagens que não passam de roupagens diferenciadas da corrupção. Talvez, nesta questão, estejam as raízes de nossa atrofiada independência. A comparação entre a audácia dos saqueadores da formação do Brasil e a corrupção mascarada em atos de dramaturgia dos depoentes nas CPIs não acontece por acaso. Repõe o desafio de passar a limpo uma história que, de diferentes formas, vem sendo invadida pela corrupção. Como uma saga maldita a destruir idéias de patriotismo e esperança de milhares de mulheres e de homens de nosso país. De um lado, a necessidade de retomar o desenvolvimento não só por indicadores de receita monetária, mas da perspectiva de recompor solidariedade, qualidade de vida, do meio ambiente, da segurança alimentar. De outro, o aforar de uma gravíssima crise da história da corrupção no Brasil que pode sucatear nosso futuro, destruindo crenças e expectativas de nossa juventude.

Há como evitar esta supressão castradora???

Sim. A vida não acabou, o país não acabou, os sonhos e utopias não acabaram. Mais do que nunca, tem que ser afastada a idéia de desistência, do abandono da luta política. O que precisamos é enterrar, de vez, formas de fazer política que se prestem a intervenções corruptas. Como??? Identificando claramente todos os contornos da crise atual. A questão da origem do dinheiro é estratégica para definir a dimensão da crise. Também o é saber quem são os corruptores. Não basta pedir a punição dos culpados. É preciso (re)pensar caminhos recentes e passados. E não temer auto-críticas, nem querer defender, na marra, falsos imaginários. O PT, do qual faço parte e aonde pretendo continuar, com liberdade, defendendo a ética e a construção de firmes mecanismos de controle e coerção de irregularidades tem absoluta necessidade de rever suas práticas…Idealizações da comunidade partidária não bastam para dar respostas qualificadas à militância do PT e à sociedade em seu conjunto. São tais razões que me levam a disputar a presidência do PT municipal neste momento difícil, de necessária reconstrução. O PT aparece no cenário como único responsável pelo processo de corrupção, como se o mesmo não tivesse uma história que, como já afirmamos, não pode ser esquecida. Não se trata de diluir responsabilidades, É preciso por o dedo em algumas feridas, sem castrações da liberdade…

O PT tem futuro???

Se assumir seriamente a autocrítica e rever rotas, sim. Tomo de empréstimo algumas palavras do meu professor, Paulo Singer… “Freud tinha razão ao dizer que não queremos ver as coisas que nos ferem…” É preciso abrir bem os olhos para analisar como se deu o crescimento eleitoral do PT. Estaria ai uma das facetas da crise??? Para um partido que nasceu com uma proposta de transformação da sociedade brasileira, o poder tem que ser um meio, não um fim em si mesmo. Passamos a conviver, ainda que a contragosto, com o mundo encantado do marketing político. De repente, a declaração de Duda Mendonça de que havia recebido R$ 15 milhões do PT em um esquema clandestino soa como uma bomba relógio. Na verdade, a profissionalização das campanhas, a política de espetáculos têm que ser prioritariamente revistas. E nossas antenas estão há tempo ligadas… É preciso um resgate da autenticidade, o que implica em abrir mão do poder como um fim em si mesmo. Não queremos falar em ética como princípio e conviver com um processo progressivo de deterioração da democracia interna do PT. É preciso ter humildade de saber ouvir e, para isso, dar voz e ouvidos a todos os que querem enfrentar, sem meias verdades, com ética revigorada, a história da indigesta presença da corrupção em nosso país!!! É preciso coragem de não querer o poder a qualquer preço!!! É preciso ter garra…é preciso ter força!!!

Uma pausa para reflexão: Ser Sartre

Programado em conjunto pela FCL/Unesp, Prefeitura e Sesc, o Ser Sartre edição 2005 não poderia ser mais oportuno. Sartre passou por Araraquara em setembro de 1960. Momento privilegiado de efervescência política, de natureza diferente do atual. 45 anos depois, as questões postas por Sartre sobre a lógica da liberdade e a perspectiva da “libertação” histórica dos homens são extremamente pertinentes. Repõem a importância do humanismo. Da liberdade. O convite para a abertura do Ser Sartre 45 anos depois no dia 12 de setembro, às 19hs no teatro Sesc-Araraquara estende-se a todos aqueles que querem, como eu, continuar a ter participação na vida da sociedade. Mesmo que seja revendo práticas e propondo novos caminhos. Sem escapar das responsabilidades que temos diante da crise moral e ética hoje escancarada.

A Coluna fica por aqui. Registrando o saldo positivo da missão italiana que esteve em nossa Morada… Na pista dos dinossauros, convênios importantes foram discutidos… Nossos agradecimentos ao Marcelo e Luciana Fernandes que, com sua competência e idealismo, contribuem para nosso presente e futuro!!! Tem debate na Câmara sobre os rumos do PT. Neste sábado (10) às 14h30 e dia 15 às 19h30. Boa semana a todos. Até a próxima!!!

(*) É pesquisadora da Uniara e colaboradora do JA.

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