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VeraCidade

Vera Botta (*)

188 anos: sem rugas nem rusgas!!!

Espírito jovem, atenta a todo movimento da vida, quer seja político, social, cultural ou estético, nossa Morada completa 188 anos de uma vida bem vivida!!! De fazer inveja a muitas cidades do mundo desenvolvido que, apesar de grandiosas obras na preservação da arte, do patrimônio histórico, não têm a alegria e a espontaneidade da nossa Araraquara. Adora fazer aniversário, não esconde a idade e quando lhe perguntam qual é o segredo do brilho de sua pele, dá um sorriso maroto e diz “puro estado de felicidade”.

O depoimento da aniversariante

“Gosto da minha história, dos personagens ilustres e anônimos que cravaram suas marcas em meu chão… Gosto de minhas ruas verdes, torço para os oitis da rua 5 serem preservados e iluminados para irradiarem sua beleza… Gosto de minhas raízes… de meu passado, de meu presente e, por que não, como todos os que ainda estão vivos e têm sentimentos, penso também no futuro”… Trocando em miúdos, não tenho rusgas por conta das disputas políticas que se passaram em minhas terras e já foram temas de livros, de romances, de peças de teatro… E até provocaram crimes… histórias que não esqueço, mas que não gosto de lembrar no dia em que festas estão sendo preparadas para mim… E não quero aparecer na seresta com rugas… Os seresteiros vão pensar que a aniversariante não tem a alma sensível dos que sabem cultivar bons momentos”… E apesar da crise, séria, a exigir respostas firmes e qualificadas da sociedade – das pessoas de todos as idades dos movimentos sociais, dos partidos, dos políticos, no dia em que completa 188 anos… quer mais é se abrir aos prazeres… se enfeitar por dentro e por fora, deixar o coração leve e a alma escovada para receber os abraços, os agrados de seus filhos…

Um momento para lembranças

Falam que o período de aniversário é de inferno astral… Nossa querida senhora desmente mais uma vez ditos populares… E é de bem com a vida, não com saudosismo mórbido que pensa em alguns dos seus filhos ilustres que já deixaram esta vida e passaram a ser estrelas de seu céu brilhante… Começa a reviver cenas… que lhe são caras… Pensa no dia em que o prof. Rodolpho Telarolli pôs para fora sua indignação diante da mutilação das árvores… E da sua decisão de fazer “paredão” ou formar comandos de greve para evitar destruições, podas drásticas, operações justificadas em nome de uma danosa modernidade. Lembranças do prof. Telarolli sentado nas pedrinhas removidas da Praça Pedro de Toledo, incrédulo e indignado diante da explicação da necessidade da medida por exigências da modernidade a fazem pensar no que preservar para o seu futuro. E como tem uma memória incrível, nossa aniversariante igualmente se lembra de que o prof. Rodolpho, cansado de esperar a transferência, por via oficial, das estruturas de ferro que serviam de base à exposição de fotos do projeto Este lugar do passado carregou nos ombros o material e fez pessoalmente a transferência. Lembra de como compartilhou do gesto inconformado do nosso inesquecível historiador face à extirpação dos flamboians da avenida da Saudade…dos ipês roxos da Praça Pedro de Toledo. E essas lembranças lhe deram uma gostosa sensação de reconhecimento pela coragem de muitos de seus filhos… E sorri com cumplicidade ao ver Tereza Telarolli no comando do Arquivo Histórico Municipal de Araraquara…”Puxou ao pai, que bom que minha história/memória está em boas mãos”. Orgulha-se de seus filhos que não gostam de meias verdades e se indignam quando a qualidade de vida de nossa Morada é ameaçada.

De Mário de Andrade e de M acunaíma

São elos de uma cadeia afetiva. Sente alegria em contar para as cidades de qualquer hemisfério que foi aqui, na chácara de Pio Lourenço Correa, depois do professor Saffioti, que Mário de Andrade escreveu Macunaíma. E não se esquece do dia em que o professor de cidadania, Saffioti, resolver abrir as portas de sua chácara para um grande evento. Para a encenação do grupo Gestus. Para o acontecimento Coração dos outros. Saravá Mário de Andrade, patrocinado pelo Sesc. Estava emocionado a eufórico com esta comemoração especial.

Sobre os ardis do destino, não temos controle

O professor Saffioti nos deixou exatamente uma semana antes do evento sonhado. Preparou o terreno, abriu sua casa e seu coração. Deixou-nos um recado, Araraquara tem que ser repensada e redescoberta. Proclamava, em alto e bom som, que a cidade não tem donos. E neste tempo em que é escancarada a corrupção na política, tenho pensado muito neste nosso lutador e sonhador incansável. Saffioti nunca se deixou levar pelos apelos do poder, por mais sedutores que eles se apresentassem. Teve coragem de dirigir o Instituto de Química, de legislar, de se apresentar como candidato, com poucas chaves eleitorais, sem ter recorrido a fontes obscuras de financiamento de campanha… Deve estar no céu mandando à Araraquara nos seus 188 anos uma mensagem otimista “Há lugar para o coração de sua, de nossa gente bater. E força para lutar”. Nossa aniversariante recebeu o recado, emocionada… O sentimento de alegria por seus 188 anos não era somente seu. Era o nosso. Das pessoas que amam Araraquara e querem vê-la iluminada, sem rugas, nem rusgas!!!

A Coluna fica por aqui. Parabéns a nós todos, araraquarenses de nascimento o de adoção. A todos que têm elos muito especiais com essa cidade que o sol escolheu para morada. Até a próxima!!!

(*) É pesquisadora da Uniara e colaboradora do JA.

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