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VeraCidade

Vera Botta (*)

A população quer uma cidade cidadã!!!

Contrariando o desencanto e a desesperança que parecem invadir todos os poros da sociedade brasileira – movimento alardeado pelos meios de comunicação – a população araraquarense deu na 2ª Conferência Municipal da Cidade uma lição de civismo. Demonstração de querer participar e contribuir com o desenvolvimento sustentável de nossa Morada!!! A Biblioteca Municipal foi, mais uma vez, o lugar escolhido para pessoas de diferentes trajetórias discutirem o significado de uma cidade para todos, lema desta segunda conferência. Noite de sexta-feira enluarada. Foram chegando delegados do Orçamento Participativo de distintas regiões. Representantes de bairros, de associações de mutuários, da Associação Comercial de Araraquara…E no encontro de técnicos que têm acumulado saberes sobre desenvolvimento urbano, de mestrandos da Uniara – não só araraquarenses – ávidos por participar, de dirigentes da Acácia, uma associação que tem mostrado, com sua história que viver do lixo pode ser uma escolha cidadã, havia algo em comum!!! A vontade de colaborar, a busca da solidariedade, de encontrar elos indispensáveis para o desenvolvimento não ser uma discussão retórica!!! Palavras podem ser levadas pelo vento, mas demonstrações de vontade de participar ficam…

A presença iluminada da “melhor idade”

Em nossa Morada, os idosos têm mostrado que fronteiras e discriminações não têm lugar em sua agenda positiva. Nas plenárias do OP, nas discussões dos rumos do Estatuto do Idoso têm nos dado lições de que o direito à cidadania não tem limites de idade. Uma pausa… para dizer de como é prazeroso encontrá-las… belas por dentro e por fora… falo de Romilda e Antonieta, tias do nosso Secretário do Desenvolvimento Econômico, o querido Serginho. Olhos brilhantes… esbanjando jovialidade e simpatia… é sempre com um ar maroto e de cumplicidade que elas dizem “agora que começamos a participar, não vamos mais parar”… E nas plenárias, nas reuniões culturais, na hora de dizer sim ou dizer não, estão lá nos convidando, nos gestos, no olhar, a continuar, em conjunto com todos as idades, a lutar por uma cidade mais justa e mais cidadã… Tomo de empréstimo alguns versos sobre Cora Coralina: “Mulher de todos os tempos, sem idade, não revive e nem vive da saudade. O passado, passado a limpo…presente às manifestações do futuro…a permanente juventude espiritual desta mulher sem idade, que abomina o atraso cultural a torna grande em sua humildade” (Célia Arantes, Anápolis).Para Romilda e Antonieta, legítimas representantes das mulheres corajosas de nossa cidade!!!

Falcoski no comando do debate

Sem regras rígidas, com espaço para falar de quem quis se manifestar, a conferência centrada em 4 temas, participação e controle social, questão federativa, política urbana regional e metropolitana e financiamento do desenvolvimento humano deixou sugestões e desafios a todos. Na mesa, Falcoski, Alcyr Azzoni e Bizelli, um trio harmonioso. A profª Drª Helena Carvalho de Lorenzo, minha parceria no mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, da Uniara abriu o debate, falando, com propriedade, da necessidade de se pensar a cidade na região. Por que não políticas públicas que extrapolem as fronteiras do município??? E o alerta à integração, à formação de redes mostrou claramente que não há espaço para competições estéreis entre as cidades em uma agenda de desenvolvimento regional.

A fotografia da cidade

O prof. Bizelli, batalhador das questões de planejamento e desenvolvimento urbano retratou bem os desafios de se discutir e de se por em ação instrumentos de mais justiça social. Seriamos poucos para discutir uma cidade para todos??? Que Araraquara queremos??? Comunicação em escala ampliada. A proposta de canais permanentes de informação à população, a constituição de fóruns continuados de debates das políticas públicas, a socialização das decisões dos conselhos municipais aparecem articuladas ao apelo maior ao investimento em educação e conscientização… Sugestões de mudanças não faltaram. Um novo pacto federativo para enfrentar descontroles na alocação dos recursos públicos, novas regras do orçamento, de repasses do ICMS, a perspectiva de repensar municípios, o fortalecimento de parcerias público/privado, a implementação de consórcios na região.

Propostas e porquês se misturaram

Se os fundos perdidos tivessem um destino social!!! É preciso uma severa política tributária para os vazios urbanos!!! Um basta às desigualdades!!! As empresas que se instalarem na cidade têm que oferecer, nas contrapartidas, por força de lei, a garantia de contratação de mão-de-obra da cidade!!! Senão, o desenvolvimento vira espetáculo de curta duração!!! E o enfrentamento à exclusão social??? Por que não pensar em formas de barateamento do asfalto e de outras condições da infra-estrutura??? O apelo e incentivo ao trabalho cooperado, o maior investimento em micro-empresas selaram a noite em que independentemente da idade, de ser do centro ou da periferia, a população mostrou que quer saber de política, se está em questão nossa cidade e a cidadania. Temos uma cidade que se nutre de sonhos… Ainda bem!!!

A Coluna fica por aqui. A Facira começou na sexta-feira. Lição de solidariedade!!! Que a semana nos reserve momentos de (re) encantamento. Até a próxima!!!

(*) É pesquisadora da Uniara e colaboradora do JA.

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