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Uma pequena diferença

Antonio Delfim Netto

São dessas excentricidades que só acontecem no Brasil: aqui entre nós o Banco Central autônomo é presidido por um cidadão (ou cidadã) a quem se concedeu (por Lei) a proteção de Ministro de Estado, o que significa sua estrita dependência das ordens do Presidente da República. Mas se, por descuido ou intencionalmente, o Presidente ou o seu Vice ousassem dar alguma sugestão sobre a política de juros, logo se levantariam as vozes do sacrossanto “mercado” financeiro para reclamar da interferência leiga em assuntos de tal delicadeza. Apenas para efeito de comparação, vou relembrar uma historinha que aconteceu no dia 18 de agosto último.

No Chile, o Banco Central goza de um alto grau de autonomia mas nem por isso pode esquivar-se dos “conselhos” do chefe do governo. Naquele dia (enquanto em Brasília o COPOM aumentava sorrateiramente a nossa taxa de juro real), o Sr. Ricardo Lagos, presidente do Chile transmitiu publicamente sua opinião sobre o que estava acontecendo com o câmbio em face da valorização das exportações de cobre. Ele fez duas observações muito claras e com endereço certo:

1. É inevitável que os altos preços do cobre e, portanto, o grande aumento do valor das exportações contribuam para a valorização do peso chileno… mas que, por isso mesmo…

2. O Banco Central deve ser muito cuidadoso com a taxa de juro real, pois ela ajuda a atrair capital volátil que valoriza ainda mais a taxa de câmbio!

O que diriam os nossos sábios analistas financeiros e os “cientistas”, naquela habitual linguagem de bancocentralês, se o Presidente Lula fizesse uma declaração como esta !? No mínimo que se tratava de uma tentativa populista de mudar a política monetária. Seria considerada “abusiva” e todo o sistema financeiro nacional e internacional ficaria de “mau humor”.

A comparação com o Chile é interessante por se tratar de um país cuja política econômica é dada como exemplo para a maioria dos “emergentes”. As diferenças com o Brasil podem ser observadas no quadro:

Nossa desvantagem mais gritante pode ser resumida nos itens: taxas de juros escandalosamente mais altas, inchaço da dívida em relação ao PIB e a lerdeza em reagir à valorização do câmbio nos últimos doze meses. É evidente que temos que providenciar sem mais demora a mudança do mix de política econômica, aumentando o peso atribuído à política fiscal para poder afrouxar a política monetária e nos libertarmos da enorme tolice que é a sustentação da excessiva valorização do Real.

(*) E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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