A Prefeitura pretende conter violência no sistema viário da cidade, no último ano de mandato duplo.
Perto de encerrar seu segundo mandato, o atual governo municipal decide agora cuidar de um dos temas mais importantes da cidade: a violência no trânsito. Em quase oito anos de governo, só na última semana o presidente da CTA, Nilson Carneiro, lançou o Plano Emergencial para Redução de Acidentes. O problema não é novo. Em horários de pico o município sofre com a lentidão no trânsito. O conhecido balão das Roseiras, no cruzamento da Via Expressa com a avenida Luiz Alberto, é um bom exemplo da situação caótica para a qual caminha o município.
O emergencial, entretanto, é a violência dos motoristas. Ainda não se registrou em Araraquara felizmente casos de homicídios provocados por motivos banais, como as discussões no trânsito. O que preocupa a população é a falta de consciência, os excessos causados por alguns motoristas mal treinados ou mal intencionados. Grande parte desconhece regras básicas como usar faróis e lanternas.
Um Serviço Público
sem ousadia, brilho
As situações de risco envolvem cada vez mais uma categoria vulnerável de usuários, a dos motociclistas. As motos oferecem poucos recursos de proteção em casos de acidente, mas têm o poder de despertar o desejo de jovens de baixo poder aquisitivo. Associado às ofertas de crédito e financiamento, elas se tornaram uma alternativa competitiva ao transporte coletivo que se arrasta ao longo do tempo, sem ousadia na administração.
As motos conquistaram os consumidores nos bairros mais afastados, onde as linhas de ônibus são precárias, desconfortáveis e irregulares. Diante desse quadro, a motocicleta passa a ser percebida como uma necessidade, quando na verdade, o crescimento do uso tanto de motos quanto de carros é uma estratégia insustentável diante do trânsito inchado de Araraquara.
Motoqueiro
É certo que existem muitos motociclistas que utilizam seu veículo corretamente, com segurança e respeito ao próximo e ao meio ambiente. Mas, é fato também que uma minoria tem causado sérios danos à sociedade, com enormes prejuízos à economia e ao sistema público de saúde. Os motoqueiros que se matam e colocam em risco a vida de terceiros. Toda semana tem notícia sobre família enlutada.
Violência
Dados recentes do IBGE sobre Desenvolvimento Sustentável mostram que os homicídios e as mortes no trânsito são indicadores que pioraram nos últimos anos. O número de mortes por cada grupo de 100 mil habitantes cresceu na região Sudeste. Era de 32,3 em 2004, superior inclusive à média brasileira, de 26,9. Em Araraquara, 27 pessoas morreram em acidentes de trânsito no ano passado.
Os jovens do sexo masculino são as maiores vítimas. No período de 1996 a 2004 os indicadores aumentaram de 35,6 para 50,5 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Entre as mulheres, a taxa saltou de 3,2 para 4,2 por 100 mil.
Araraquara
A solução passa por algumas questões políticas, que dizem respeito às prioridades de investimento da Prefeitura. É preciso, por exemplo, priorizar o transporte ao trânsito, melhorar a qualidade e o custo do transporte coletivo e, naturalmente, desestimular os veículos individuais motorizados.
Paralelamente, seria prudente que a administração investisse em campanhas educativas e na formação adequada dos condutores. É necessário, sim, investir em uma estrutura moderna de fiscalização de trânsito, mas vale lembrar que multas não devem ser encaradas como fonte de receita corrente. É preciso, além de tudo, zelar pela qualidade das ruas e sinalização. Um programa deveria ganhar a preferência dos que gostam de campanha para encher a cidade de faixas, ajudando na poluição visual sem a preocupação com o sucesso educacional da empreitada.
Plano com três frentes
Prefeitura de Araraquara lançou o Plano Emergencial para Redução de acidentes de trânsito. A proposta é reduzir o número de vítimas com enfoque especial para os motociclistas. O plano envolve várias entidades públicas e civis, e se divide em três níveis de ações – educação, fiscalização e engenharia para o trânsito.
“Hoje estamos dando o primeiro passo. Temos que procurar um equilíbrio entre o crescimento do número de motocicletas na cidade e não deixar que esses veículos se transformem em uma arma”, considerou o prefeito Edinho Silva. Falou acertadamente mas com atraso considerável.
Segundo Nilson Carneiro, presidente da CTA, a frota de motocicletas em Araraquara passou de 17 mil em 2002 para 22 mil no ano passado. Já as vítimas fatais aumentaram 70% em um ano, passando de 16 em 2006 para 27 no ano passado.
"E com tudo isso, o que o arquiteto Nilson fez? No final do mandato, de número dois, novas perspectivas, MAIS PLANEJAMENTO quando se espera, há muito tempo, ação", diz um observador creditado no J.A.