Três anos sem Polezze

De sua família

Em 3 de julho, completamos três anos sem nosso amado Geraldo Polezze. Perdemos uma grande liderança na cidade e região: pessoa de opinião forte, que celebrava a história da cidade, seus expoentes, sem deixar de criticar (se entendesse necessário) quem quer que fosse. O tempo passa, ouvimos várias pessoas que conviveram com Polezze, o que nos provoca uma pergunta com olhos na história de sua própria vida: ele era um conservador?

Bom, primeiro, necessário questionar o que se entende por conservador. Trata-se de pessoa religiosa, que cultuava a família, especialmente, seu papel de pai? Se for isso, Polezze era, sim, conservador.

Agora, partindo do cenário social do país nos dias atuais, Polezze não era conservador. Explica-se, já se pedindo desculpa por expor visão bastante suspeita de família que somos.

Polezze tinha preocupação histórica com saúde pública e educação. Eram temas defendidos com força nos gloriosos tempos de rádio.

Também, era a preocupação número 1 enquanto pai. E, tratando-se de saúde pública, Polezze promovia entrevistas, debates e reportagens sobre doenças; serviço público de saúde; o risco da AIDS (quando ainda não existia tratamento e as pessoas realmente morriam); gravidez na adolescência; dever de prover escola às crianças… apenas para citar exemplos simbólicos e que marcaram sua trajetória.

Ao discutir gravidez ou doença sexual, por exemplo, Polezze deixava bastante clara sua preocupação de divulgar riscos, mas também quais seriam as recomendações para proteção dos jovens. Ficava evidente sua defesa pela educação sexual, que nada tinha de estímulo ao sexo, na verdade. Dizia respeito, no fundo, à educação dos jovens, provendo os conhecimentos necessários a uma vida mais segura. Ora, mas isso, nas décadas de 70, 80 e 90, já era bastante progressista, não?

E a defesa que Polezze fazia em relação aos ferroviários, inclusive, organizando grupos para fazer pressão no governo estadual? E os discursos acalorados que fez diante de demissões na cidade? Isso é o que se diz, hoje, de temas próprios de esquerda? Será mesmo?

Houve um momento marcante na vida de Polezze, relacionado à defesa de trabalhadores: demissão de trabalhadores da Fábrica de Meias Lupo, no final de 1990. Era dezembro e Polezze fez uma defesa enfática dos trabalhadores, identificando (e dando os nomes no ar) os empresários responsáveis pela fábrica da época.

Não foi um ato ingênuo. Polezze já era bastante vivido e experiente, mas acreditava estar cercado e protegido pela então direção da Rádio Cultura. Também, contava na sua decisão de criticar com força, a amizade que nutria com o então empresário de rádio, Ricardo Lupo.

Perceberam a coincidência de nomes, certo? O chefe de Polezze era Lupo, como Lupo era o nome da empresa, naquele momento, tão criticada na voz de Polezze.

Como dissemos, isso se deu em dezembro 1990. No meio do ano seguinte, Polezze foi desligado da Rádio Cultura, num episódio estranhíssimo. Não houve explicação clara. Seus colegas, alguns ouvidos nas “memórias de Geraldo Polezze” (as gravações estão disponíveis nas nossas redes sociais e Youtube), igualmente, ficaram sem entender o motivo. Polezze foi chamado via anúncio na própria rádio para que fosse aos estúdios se despedir no ar dos ouvintes. Apenas isso, hoje em dia, seria motivo para pesados danos morais. Na época, contudo, ficou um gosto amargo e sentimento de ter sido traído.

E o que Polezze fez após esse evento tão traumático? Seguiu sua vida, virou a página, voltou a suas origens simples de família trabalhadora e independente. Não guardou rancor, porque sabia bem que a vida era passageira. Criou o JA, passou a usar deste veículo para expressar seus pontos de vista, o que recebeu a soma de TV e internet mais tarde.

Sem mágoa e agradecido por sua vida e família. Assim, seguiu Polezze.

Então, respondendo à pergunta inicial: não, Polezze não era conservador. Era, sim, progressista, preocupado com jovens, mulheres e trabalhadores, sempre atento à necessidade de o Estado brasileiro prestar bons serviços à população. Ou, se quiserem, que o chamem de “conservador e progressista”. Não tem problema. Até porque Geraldo Polezze não era óbvio, nem devia caber numa classificação tão simplista.

Foto: Do abatimento estampado no rosto de Polezze, ao sair da despedida no ar da Rádio Cultura. Até a leveza de Polezze, brincando de dançarino, sem deixar de carregar sua câmera para todos os registros da vida.

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