Teste pioneiro prevê risco de disseminação e reincidência do tipo mais grave de câncer de pele

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Feito a partir da biópsia padrão do melanoma, teste criado por cientistas ingleses pode ajudar a tranquilizar pacientes e reduzir necessidade de consultas de acompanhamento do melanoma em indivíduos que apresentam baixo risco de disseminação e reincidência da doença.

O melanoma é a forma mais grave do tumor cutâneo, sendo responsável pela grande maioria das mortes relacionadas ao câncer de pele. Não é à toa então que a comunidade científica faz grandes esforços para conseguir prever a evolução e a gravidade dessa doença. E esses esforços parecem ter dado resultado, já que cientistas ingleses desenvolveram um teste pioneiro, chamado AMBlor®, que, quando aplicado à biópsia padrão do melanoma, consegue identificar pacientes com baixo risco de reincidência ou disseminação do câncer de pele tipo melanoma. “Atualmente, os melanomas são removidos por meio de cirurgia e a biópsia é estudada por patologistas sob o microscópio para determinar o estágio do câncer de pele e seu risco de disseminação. Mas, ainda que o risco seja definido como baixo, o paciente precisa continuar com consultas de acompanhamento médico da lesão para garantir que realmente não ocorrerá disseminação ou reincidência”, explica a dermatologista Dra. Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Segundo a médica, o novo teste identifica o real risco de progressão do melanoma, fornecendo informações mais precisas sobre as chances de disseminação e reincidência de um melanoma sem ulceração em estágio inicial, que representa cerca de 75% dos novos diagnósticos da doença. “A grande vantagem de um teste como esse é ajudar a tranquilizar a ansiedade do paciente em meio a uma situação realmente estressante e reduzir a necessidade de inúmeras consultas de acompanhamento médico caso seja observado que o paciente tem baixo risco de sofrer com disseminação ou reincidência do melanoma”, destaca a especialista.

O novo teste surgiu como resultado de um estudo publicado em novembro na revista médica British Journal of Dermatology que ofereceu uma maior compreensão sobre o mecanismo de crescimento do câncer de pele tipo melanoma. No estudo, os pesquisadores observaram como melanomas em estágio inicial com risco de disseminação secretam o fator de crescimento TGFß2, que causa uma redução das proteínas AMBRA1, Loricrina e CLDN1. “Essas proteínas são essenciais para manutenção da integridade da camada superficial da pele. Logo, se há baixa quantidade dessas proteínas, o tumor pode se espalhar mais facilmente, inclusive podendo sofrer um processo de ulceração, o que está associado a tumores de maior gravidade”, diz a dermatologista. Foi a compreensão desse mecanismo biológico que possibilitou o desenvolvimento do teste, que é focado justamente na identificação de marcadores das proteínas AMBRA1 e Loricrina.

Os cientistas criadores do novo teste já realizaram a inscrição para torná-lo disponível no Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (National Health Service). No entanto, não há previsão para que o teste chegue as terras brasileiras. “Até lá, pacientes diagnosticados com melanoma, após a análise da biópsia, devem manter as consultas de acompanhamento com o médico para que qualquer sinal de disseminação ou reincidência da doença seja detectado precocemente, o que aumenta as chances de cura significativamente”, finaliza a Dra Patrícia Mafra.

FONTE: *DRA. PATRÍCIA MAFRA: Dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), com estágio em Dermatologia pelo Grupo Santa Casa e acompanhamento do Serviço de Ginecologia e Sexologia do Hospital Mater Dei, Dra. Patrícia Mafra é expert em injetáveis e speaker em eventos nacionais e internacionais, palestrando sobre temas ligados à área de atuação. A dermatologista também foi preceptora de Medicina Estética do Instituto Superior de Medicina (ISMD). Instagram: @drapatriciamafra (Holding Comunicações – e-mail: guilherme.zanette@holdingcomunicacoes.com.br)

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