Teste o seu Português (649)

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Prof.ª Dr.ª Terezinha de Jesus Bellote Chaman (*)

Trazemos o testemunho da jornalista Cremilda Medina, que corrobora Baccega (1998, p. 60) quanto ao fato de o comunicador contemporâneo não se ter apercebido “de sua condição de indivíduo/sujeito virtualmente capaz de tratar a complexidade da informação que trabalha”. Medina assim se manifesta:
“Do office boy da informação para o repórter revelador de fatos, atos, ideias e mitos sociais ocultados pelos jogos do poder, velados pela retórica das fontes, inacessíveis pela insuficiência do observador. Do burocrata de redação ao persistente e rigoroso pesquisador lógico analítico. Do apressado registrador do real aparente ao participante emocionado, especulador das camadas essenciais da atualidade. Nessa complexidade trialógica (indivíduo – coletividade – universalidade), o pesquisador alimenta o mediador que, por sua vez, provoca o instigador. Pode-se então aspirar a um criativo jornalismo de autor, ou melhor, injetar na difusão quantitativa das informações sua virtualidade qualitativa de intervenção. Só assim, a linguagem da mediação social, sobretudo nas contingências do Terceiro Mundo, estará assumindo seu papel de mudança”. (1989, p. 10-11, grifo nosso).

José de Alencar, que estreou como folhetinista do jornal Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, em 1854, fala sobre as dificuldades de seu ofício, num dos trechos de um vasto folhetim em que escreve – como era de costume na época – sobre uma interminável gama de assuntos. Neste trecho, ele discute com notas de ironia e humor, as origens obscuras do folhetim, a variedade absurda de assuntos que o cronista da época é obrigado a abordar, desde os mais sérios até o mais irrelevante e a preocupação constante de manter um tom superficial e ameno, que não aborreça nunca o leitor, de perfil exigente e heterogêneo.

Alguns anos mais tarde, em 1859, Machado de Assis volta ao mesmo assunto já abordado por Alencar, esboçando numa de sua “Aquarelas” um retrato irônico do folhetinista. Discute o exercício da própria profissão, a origem do folhetim, suas relações com o jornal – de que é fruto -, o tom de superficialidade que o gênero exige, a variedade de assuntos que o cronista é obrigado a abordar, a sua empatia com o público e, finalmente, o grande esforço que é o exercício cotidiano da crônica e o trabalho que é buscar e encontrar os temas que a motivem.

França Júnior, geralmente citado nas histórias da literatura apenas como comediógrafo, apresenta, nos jornais em que exercia, o seu ofício permanente de folhetinista, um panorama social e político da Corte. Num de seus folhetins, datado de 24 de novembro de 1867, também ele aponta as dificuldades do ofício e a obrigação de não faltar às expectativas dos leitores.

Nesses três exemplos, observa-se que uma das maiores dificuldades do gênero parece residir no caráter dúplice de literatura e jornalismo, ou melhor, de literatura jornalística profissionalmente empenhada. Eis aí, desenhando-se, a feliz convivência jornalismo/literatura, quer queiram alguns ou não.
(Fragmento da Introdução de Dissertação de Mestrado apresentada para a obtenção de título de Mestre na área de Comunicação, UNESP/Bauru – 2005, CHAMAN, T. J. B).

Teste o seu Português

01 – Ele leva sempre uma ___________, nos negócios comerciais que realiza.
a ( ) porcentagem;
b ( ) percentagem;
c ( ) porcentajem;
d ( ) percentajem.
ATENÇÃO: existem duas respostas certas.

02 – Precisa ter controle das emoções e da ___________, para tornar-se um grande estadista.
a ( ) coguinição;
b ( ) coguinisão;
c ( ) cognição;
d ( ) cognisão.

03 – Aquele pobre senhor sofre de ___________.
a ( ) epilepicia;
b ( ) epilepisia;
c ( ) epilepcia;
d ( ) epilepsia.

04 – Qual frase abaixo está absolutamente correta?
a – Os pulverisadores são empregados no combate as pragas.
b – Os pulverizadores são empregados no combate hás pragas.
c – Os pulverizadores são empregados no combate às pragas.

05 – Um texto ___________, muitas vezes, é de fácil entendimento.
a ( ) sinópitico;
b ( ) cinópitico;
c ( ) sinótico;
d ( ) cinóptico.

06 – Um delicioso _____________. Essa foi a receita que o “Chef” preparou.
a ( ) gaspacho;
b ( ) gaspaxo;
c ( ) gazpacho;
d ( ) gazpaxo.

07 – Dizem que o sucesso profissional depende do ____________ de inteligência.
a ( ) quociente;
b ( ) cociente;
c ( ) cuociente.

08 – Naquele produto, existe uma quantidade de ____________ de sódio muito bem dosada.
a ( ) bicabornato;
b ( ) bicarbonato;
c ( ) bicarbornato.

09 – Dona Maria sempre anota, na _________, as receitas.
a ( ) cardeneta;
b ( ) cardineta;
c ( ) carderneta;
d ( ) caderneta.

10 – A _________ e o _________ são filhotes do jacaré?
a ( ) largartixa – largarto;
b ( ) lagartixa – lagarto;
c ( ) largatixa – largato.

(*) Pesquisadora do GEPEFA – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Famílias – UNESP/Franca.

Respostas

Resp 1.: a / b Ele leva sempre uma porcentagem ou percentagem, nos negócios comerciais que realiza.
Percentagem ou porcentagem (= comissão sobre um valor de cem unidades).
Resp 2.: c – Precisa ter controle das emoções e da cognição, para tornar-se um grande estadista.
Cognição (= ato de adquirir conhecimento).
Resp 3.: d – Aquele pobre senhor sofre de epilepsia.
Epilepsia (= transtorno cerebral).
Resp 4.: c – Os pulverizadores são empregados no combate às pragas.
Resp 5.: c – Um texto sinótico, muitas vezes, é de fácil entendimento.
Sinótico (= resumido, sintético).
Sinótico ou sinóptico – São formas variantes, registradas em dicionários, mas a 2ª não ocorre. (NEVES 2003, p. 710).
Resp 6.: a – Um delicioso gaspacho. Essa foi a receita que o “Chef” preparou, no programa de TV.
Gaspacho (= sopa fria). O gaspacho: substantivo masculino.
Gazpacho com z em espanhol, sopa fria.
Resp 7.: a – Dizem que o sucesso profissional depende do quociente de inteligência.
Quociente (= proporção entre a inteligência de um indivíduo e a inteligência normal ou média para a sua idade).
OBS.: Neves (2003, p. 647) a forma cociente é variante de quociente, mas não ocorre.
Resp 8.: b – Naquele produto, existe uma quantidade de bicarbonato de sódio muito bem dosada.
Bicarbonato (= sal cristalino utilizado em fermento em pó).
Resp 9.: d – Dona Maria sempre anota, na caderneta, as receitas do “Chef” Allan.
Caderneta (= caderno ou livro de apontamentos).
Resp 10.: b – A lagartixa e o lagarto são filhotes do jacaré?

OBS.: Colunista semanal dos jornais Diário do Grande ABC (SP) e Jornal de Araraquara (SP), Jornal Independente – Dois Córregos (SP), Tribuna do Norte – Natal (RN), Jornal de Nova Odessa (SP), Diário da Franca – Franca (SP) e Diário de Sorocaba – Sorocaba (SP) – Jornal de Itatiba – Itatiba (SP) – O Liberal Regional – Araçatuba (SP) – Diário da Serra – Tangara da Serra (MT) – Gazeta Penhense – Penha/SP.

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