Luiz Leitão (*)
Em que pese o fato positivo de a popularidade de Lula não estar caindo, conforme pesquisa Census/CNT – praticamente 60% aprovam a atuação presidencial, o que o isola da imagem do partido – ele perdeu uma oportunidade e tanto ao deixar de demitir Luiz Gushiken, o Chininha, da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica, e inovou na política ao rebaixar o ministro, tornando-o subordinado à titular da Casa Civil, Dilma Roussef. Não deixa de ser humilhante para o ex-ministro, mas representa um perigo para Lula, pois esta complacência pode vir a custar-lhe caro, já que há ainda muito que apurar no âmbito das fundações de seguridade.
Bem, Luiz Inácio é um sujeito de sorte, mais que o benefício da dúvida, conta ainda com a confiança de parte expressiva do eleitorado, de acordo com a pesquisa. Nada de impedimento, portanto. Pois bem, tem lá a segunda chance, que trate de aproveitá-la. Mas se a popularidade de Lula está em alta em meio a este vendaval, onde estarão aqueles tantos indignados eleitores arrependidos que enchem as colunas dos jornais, todos os dias?
Vejamos os dados da pesquisa da CNT (Confederação Nacional do Transporte): Foram dois mil entrevistados no país. O índice de satisfação com o desempenho pessoal de Lula é praticamente o mesmo de março de 2004: 59,6 e em Julho de 2005, 59,9.
Mas a avaliação de governadores e prefeitos mantém-se também praticamente estável ao longo de um ano. Mesmo com as confusões rondonienses e as prisões de prefeitos alagoanos. Setenta e dois por cento são conta o uso de recursos públicos nas campanhas eleitorais, eventual alvo da reforma política. No quesito corrupção, 41,8% acham que a corrupção não aumentou no governo Lula, 20% acham que aumentou um pouco e outros 20%, que aumentou bastante.. Já a respeito da CPI dos Correios, metade acha que vai apurar adequadamente e outro tanto acredita que não. Apenas 41% têm conhecimento do mensalão, 34% ouviram falar (ou seja, não estão bem informados) e 20% não têm acompanhado.
Mas o deputado-cantor-acusador-réu-herói Roberto Jefferson é um campeão de popularidade: 67% acreditam que as denúncias dele sobre o mensalão são verdadeiras, o que contrasta com o dado de que apenas 41% têm conhecimento do mensalão. A maioria acredita que Lula não tinha conhecimento do mensalão. E 67% acham que pagar parlamentares para votar é prática antiga (talvez daí resulte a “absolvição” de Lula)
Na reeleição, primeiro turno, Lula tem maioria: 21%, mas há 69% de indecisos. Há várias simulações com candidatos variados, mas um dado interessante é a colocação de Lula no segundo turno contra Geraldo Alckmin: 50,6 Lula x 23,1% Alckmin. Compreensível, pois quem, fora do eixo São Paulo/Rio/Brasília e não pertencente pelo menos à classe média, que tem acesso a jornais, sabe quem é Geraldo Alckmin? Já contra Aécio neves, governador de Minas Gerais, a conta é esta: Lula 53,7 x Aécio 19,2. Como José Serra foi ministro da Saúde, sendo mais conhecido nacionalmente que os demais potenciais adversários, tem menos desvantagem em relação a Luiz Inácio: 46,3 x 32,7%, respectivamente. Será este o candidato anti-Lula?
A pesquisa serve como reflexão a respeito do carisma de Lula, e quiçá sobre o grau de desinformação da população. Uma surpresa e tanto, mas há tanta água por rolar que nada se pode concluir e tudo se pode esperar, pois a cada amanhecer há uma nova denúncia, ora cravando no PT, ora no PFL, e em quase todos os partidos.
Isso porque a CPI do Banestado ainda não foi exumada, e ninguém sabe se será, tamanhas as forças empresariais e políticas que a ela se contrapõem. Não se esqueça, caro leitor: Banestado, esse é nome do jogo (pesado).
(*) É Administrador e articulista (Brasil)