Sua juventude

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Geraldo Polezze nasceu na pequena Gavião Peixoto, em 14 de novembro de 1945, na fazenda Alabama, onde seus pais trabalhavam: Santo Polezze, filho de imigrantes italianos e Gidália de Camargo Polezze, filha de brasileiros (como ela mesma gostava de dizer). Mudaram-se para Araraquara, quando seu pai decidiu dar melhores oportunidades a sua família: “esse menino terá um futuro melhor”, dizia. Santo passou a trabalhar na Ferrovia Paulista.
Era uma criança muito ativa. Gostava de brincar na rua com amigos – Moacir, Vicente, Durval, Nelson, Celso, “Mistura”, “Ieco”, entre outros -, bem arteiros. Nadavam no córrego da Servidão (onde atualmente é a via expressa da cidade), na chamada “bombinha”. Sua mãe não conseguia segurá-lo. Eles iam ao córrego nadar e aproveitavam para comer mangas. Chegaram a caçar rã à noite no mesmo córrego. Histórias de crianças da década de 50.
Tão arteiro que quebrou a perna aos 6 anos de idade, brincando num balanço. Foi sua perna esquerda, ficando 40 dias imobilizado. Foi levado por seu pai nas costas ao SAMDU, Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência, do centro da cidade.
Episódio que provavelmente explica sua fobia por hospitais e médicos. O fato é lembrado por sua única irmã, a caçula Maria Clara Polezze Fernandes: “segundo a mãe dizia, foi feito a sangue frio, sem anestesia. Colocaram o osso no lugar. Provavelmente, ele ficou com um trauma. Não é possível que uma pessoa tenha tanta fobia de hospital e médico como ele tinha. Só pode ser isso”.

Sempre foi religioso, acompanhando seus pais. Foi congregado mariano, cantando no coro da Igreja de Santo Antonio.
Polezze estudou, enquanto trabalhava duro.
Aliás, quando bem novo, além de jogar bola queimada na rua com outras crianças, montava caixas na Cociza. Vendia coxinhas da Dona Maria. Há uma história muita simbólica, a propósito: seu pagamento deveria ser em coxinhas, mas o garoto Geraldo preferia vender tudo e ficar com dinheiro.
Amigo de longa data e antigo colega de Rádio Cultura, Antonio Carlos Rodrigues dos Santos (o “Toninho”), lembra que ambos eram vizinhos e chegaram a entregar roupas, quando tinham uns 10 ou 11 anos de idade. Toninho recorda que sua mãe, Clotilde, e a mãe de Geraldo, Gidália, lavavam e passavam roupa para estudantes que vinham morar em repúblicas. Eram os filhos – Toninho e Geraldo Polezze – que entregavam as roupas aos clientes.
Faziam uma espécie de cesta enrolada com a roupa e colocavam na cabeça.
Trabalhou na fábrica Dianda Lopes, ainda, muito jovem. Foi aluno do ginásio industrial, que, além do curso regular, tinha parte profissionalizante (ele fez curso de oficina e desenho técnico).
Alzemiro Ianelli, o “Miro”, foi seu professor e tem boas recordações de Geraldo: “Era um bom aluno, muito dedicado. Tinha liderança no grupo. Era rigoroso consigo mesmo até chegar a uma peça bem executada”. Miro deixou claro como Geraldo ajudou na criação do colegial técnico nos anos seguintes, fazendo reportagens do ensino executado na escola, o que Miro usava na Capital para reforçar a necessidade do colegial técnico na cidade. Miro também menciona que Polezze apoiou a vinda da Escola Técnica, enquanto vereador. A Escola Técnica foi criada, afinal, inicialmente, com técnico em mecânica e enfermagem.
Ainda, fez o normal, iniciando no EEBA, mas terminando no São Bento. Formou-se professor primário, tendo dado aula à noite para alfabetização de adultos. Foi cursar direito (Uniara, tendo sido orador da turma), após seu casamento.

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