São Paulo rumo à maior temperatura da história

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Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*)

Neste final de semana estamos passando do inverno para a primavera numa das situações mais atípicas vividas no nosso País. O inverno foi permeado de altas temperaturas – os chamados veranicos – e a estação das flores chega com a temperatura ao redor dos 40 graus em muitos pontos do território nacional. Espera-se para São Paulo, outrora chamada “terra da garoa”, a marca dos 38 graus no domingo, uma temperatura ainda não atingida na cidade desde 1943, quando começou a medição térmica. A maior marca até agora foi 37,8 em outubro de 2014 seguida de 37,1 em 30/09/2020, segundo informação do Climatempo. Tudo isso sem contar a instabilidade que assolou o Rio Grande do Sul e causou prejuízos, desabrigo e dezenas de mortes.

A vida nos trópicos sempre foi carregada de surpresas, sendo a maior delas a mudança abrupta das condições climáticas e, conforme a região, a formação de furacões, ciclones, tempestades tropicais e outros fenômenos devastadores que levam à falta ou excesso de água, deslizamento de encostas e outros problemas que fazem a população sofrer. Já acompanhamos as notícias sobre temperaturas elevadíssimas no hemisfério norte, incêndios florestais no Hawai, Canadá e outras áreas, além daqueles que agora também irrompem no Brasil.

Atribui-se o desequilíbrio climático ao fenômeno “el niño”, composto por uma corrente marítima que aquece as águas do Oceano Pacífico e altera o regime de nuvens em toda a América do Sul, com repercussão – maior ou menor – em todo o planeta. O inverno cheio de picos de alta temperatura que acabamos de suportar é decorrência desse sistema que altera a ecologia e provoca saturações. E tudo isso leva a acidentes principalmente nas áreas onde o terreno – normalmente de encostas – teve ocupação irregular, como ocorreu meses atrás no Litoral Norte Paulista.

As temperaturas extremas exigem providências tento para a proteção (São Paulo distribui água para a população de rua). Os diferentes fenômenos que temos enfrentado constituem o grande indicativo de que precisamos de cuidados especiais diferentes daqueles que até agora eram providenciados. Não basta desobstruir o leito dos rios e evitar a ocupação dos aluviões que servem para suportar as cheias. É preciso resolver os problemas das encostas para evitar que a casa da parte superior caia sobre as localizadas abaixo e mate seus moradores. Infelizmente é um problema que se agrava e tem sua raiz na eliminação da cobertura natural do solo. O Brasil já dispõe de tecnologia capaz de resolver esses problemas. É preciso, agora, alocar investimentos que, pelo volume das necessidades, só o governo tem capacidade para realizar.

Não podemos esquecer que a economia brasileira é baseada na água. Precisamos ter os reservatórios num bom nível para abastecer a população e também para gerar a maior parte da energia elétrica que consumimos. Daí a necessidade de cuidar dos mananciais e evitar que a água siga rio abaixo sem ter cumprido as finalidades que a montagem da estrutura socioeconômica lhe atribuiu.

(*) É dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

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