São José, o justo

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Foto: Arquivo Canção Nova - Sandro Arquejada

Sandro Arquejada (*)

Ser justo significa retidão moral, aponta para o que são direitos e deveres; ainda, a consequência de uma ação; diz respeito também de uma consciência imparcial, que julga ou classifica gerando um equilíbrio. Todas essas definições se encaixam com o adjetivo que a Bíblia cita a São José (cf. Mt 1,19), no entanto, o sentido teológico de tal palavra, vai além do que pensamos comumente.

Jesus diz que “se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5,20), portanto, é uma justiça que supera os códigos morais elaborados pelos homens e credencia a entrar na vida eterna, pois indica mais se tratar da bondade, caridade, do amor ágape, do que propriamente da justiça humana.

O trecho do Evangelho que se refere a José como homem justo é precisamente o que, na sequência, relata sua magnanimidade. Sabendo que Maria estava grávida, e “não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente” (Mt 1,20). Ou seja, podendo denunciá-la e até mesmo condená-la – o que, na justiça dos homens, era cabível – o pai adotivo de Jesus salvou a pessoa que poderia tê-lo “traído”. E de que forma? Assumindo para si a culpa.

Logo, o justo no Reino de Deus é aquele que pratica em altíssimo grau, a capacidade de sacrifício próprio por outro. Assim é São José!

Pouca coisa é dita nas Sagradas Escrituras a respeito de São José. Mas deixa claro que ele foi imprescindível, foi o guardião do menino num tempo em que a vida do Filho de Deus precisou ficar oculta, inclusive pelos perigos de morte.

Os apóstolos tinham como missão tornar Jesus conhecido. Já São José teve como missão escondê-lo, quem sabe, por isso, a Bíblia foi tão reservada em falar dele. Talvez para nos mostrar que a magnanimidade, a doação de si, se dá nos bastidores da vida. Era nas tarefas comuns e repetitivas do dia a dia que José foi gigante no amor.

Sua justiça estava na decisão de se sacrificar em tudo, no ordinário da vida, por aqueles que lhe foram confiados, não poupando tempo, recursos e esforços. Vemos que José renunciou a tudo o que sonhou e construiu pelos outros. E não somente quando as situações eram graves. O fato de terem ido morar em Nazaré, cidade de Maria, após voltarem do Egito, e não em Belém, cidade de José, mostra que ele privilegiou sua esposa.

Da Sagrada Família, só José não nascera sem a mácula do pecado. Mas, engana-se quem imagina que por isso ele não alcançou um altíssimo grau de perfeição em todas as virtudes. Afinal, para educar o Filho do Altíssimo e ter como esposa aquela que foi escolhida para a tão grande missão de gerar o Salvador, José também foi um homem da mais nobre estirpe em santidade.
Que grande exemplo para nós, principalmente para nós homens, sermos os primeiros a nos doarmos, desde as pequenas coisas do cotidiano até os maiores desafios. É assim que nos tornaremos também justos e dignos da vida eterna. São José, rogai por nós!

(*) É missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Teologia e Administração de Empresas. Atualmente trabalha na “Formação – Núcleo das Famílias”. É autor dos livros “Maria, humana como nós”, “Ato Conjugal, Beleza e Transcendência”, “Como Rezar o Terço Mariano”, entre outros, pela Editora Canção Nova.

(Depto. Comunicação – Assessoria de Imprensa – Fundação João Paulo II / Canção Nova)

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