Rodovia Washington Luiz (com Z) há quase 50 anos, costume usual, habitual, está inserido na cultura do povo que, com o tempo, tem força de lei. “Consuetudo parem vim habet cum lege”, aforismo jurídico segundo o qual “o costume tem a mesma força da lei”.
Mas, as concessionárias Centrovias e Triângulo do Sol (atendendo a uma discutível notificação da Artesp) modificaram as placas e nem deram bola ao direito do povo.
“A minha CNH tem mais de 40 anos e durante todo esse tempo sempre gravei o nome W. Luiz. Com tanta coisa para mudar e transformar, por que mexer numa denominação que estava na alma do povo? Não dá para entender essa mudança desrespeitosa”, afirma um motorista da região.
Pesquisa
Para esclarecer, o JA solicitou ao colaborador e titular do Cartório de Registros de Araraquara, Dr. João Baptista Galhardo, um artigo para esclarecimento. Ele chega subordinado a “Breves anotações sobre Washington Luiz”.
Washington Luiz
Washington Luiz Pereira de Souza, que na mocidade assinava Luiz com Z e depois que entrou para a política, mesmo antes da reforma ortográfica, passou a assinar com S, nasceu no dia 26 de outubro. Algumas fontes dão como nascido em 1970, mas em contato com o Doutor CÉLIO DEBES, estudioso de sua vida, que gentilmente deu algumas informações, confirmei que nasceu em Macaé, Estado do Rio de Janeiro em 1969. Pertencia a uma família da qual alguns de seus membros se tornaram ilustres na política e na administração.
Estudou as primeiras letras num colégio do município de Barra de S. João, no mesmo Estado. Em 1884, matriculou-se no Internato do Colégio D.Pedro II, no Rio de Janeiro e em 1888, após concluir seus estudos preparatórios, em cuja Faculdade de Direito bacharelou-se em 1891.
Em 1892 foi Promotor Público de Barra Mansa, Estado do Rio de Janeiro e pouco depois abriu escritório de advocacia em Batatais, Estado de São Paulo.
Em 1897 foi eleito Vereador e Presidente da Câmara de Batatais. No ano seguinte os vereadores o elegeram intendente (seria hoje Prefeito) da cidade, onde prestou relevantes serviços, sem orientação partidária. Segundo o Doutor Célio Debes, preocupado com a saúde pública, como intendente providenciou água encanada, inclusive no Matadouro, proibindo transporte de carne em carros de madeira que não tivessem revestimento interno de chapa zincada, por questão de higiene e saúde. Construiu calçadas, guias e sarjetas, mandado abaular as ruas descalçadas para facilitar o escoamento de águas pluviais.
Na mocidade tinha o apelido carinhoso de Chinton (Shington).
Em 1900 casou-se com Sofia de Oliveira Barros.
Foi deputado estadual de 1904 a 1906. Em março desse ano assumiu a Secretaria da Justiça do Estado, então Pasta da Justiça do Governo Paulista, que só deixou em 1912. Nesse posto fez reformas relevantes prestigiando o Poder Judiciário. Voltou à Câmara Estadual em 15 de novembro de 1912, sobressaindo-se como líder do Governo.
Em 15 de janeiro de 1914, foi eleito Prefeito de São Paulo. Na sua administração reconstruiu as finanças e fez 300 km de estradas municipais. Em seu mandato, estimulou e incentivou a iniciativa privada, fazendo de São Paulo uma cidade modelar.
Foi eleito Presidente do Estado de São Paulo, tomando posse em 1º de Maio de 1920. Preocupado com a educação fez subir a freqüência escolar de 194.213 alunos em 1920 para 267.358 em 1924. As despesas com a instrução primária, que eram em 1920 de 18:983:734$000 foram elevadas em 1924 para 31:183:083$688. Melhorou e fortaleceu a Justiça. Ao deixar a Presidência, o Estado que antes só possuía a estrada de rodagem estadual de São Paulo a Santos e em início a de São Paulo a Campinas, tinha no término de seu governo mais de 1.344 km de estradas de rodagem no Estado, além das municipais, cuja construção a sua administração auxiliara. Embora suas gestões tenham sido marcadas com o carimbo: “governar é abrir estradas”, a sua real preocupação era com o povoamento de grandes regiões, aumento da produção e a facilidade do seu escoamento. De nada adiantaria produzir sem a facilitação do transporte.
Ao assumir o governo do Estado encontrou uma dívida flutuante de 189.392:604$133 além de 90.000:000$000 de débitos da Caixa Econômica, tendo receita orçada para aquele ano em 127.446:800$000. Findo o quatriênio, a dívida flutuante estava consolidada e a receita arrecadada montou em 1924 a 203.722:169$612.
O segredo de sucesso financeiro de suas gestões seria evitar o desperdício, não permitir qualquer desvio e exigir com rigor o pagamento de todos os créditos públicos, fiscais ou não. Em setembro de 1925, foi – por convenção política composta de representantes de todos os Estados e reunida no edifício do Senado Federal – escolhido unanimemente candidato à presidência da República, acompanhado do Dr. Mello Vianna, que a convenção apontou para vice-presidente.
Em 1º de março de 1926, foram os dois candidatos eleitos, sem competidores, e a 10 de junho do mesmo ano foram reconhecidos e proclamados pelo Congresso Nacional. A posse foi em 15 de novembro.
O novo Presidente reformou, desde logo, os hábitos do Catete, reabrindo o palácio presidencial para audiências públicas semanais.
Sem rancores políticos, nem motivos para alimentá-los colocou em liberdade pessoas que, em virtude do estado de sítio, estavam presas e atenuou a censura à imprensa. Mereceram aplausos os seus primeiros atos, culminando em apresentar por intermédio do deputado Julio Prestes, seu líder, na Comissão de Finanças da Câmara, no dia 2 de dezembro de 1926 um longo projeto de reorganização financeira da República, visando a estabilização do câmbio e equilíbrio da vida econômica do Brasil.
Para as eleições que iriam indicar o seu sucessor, candidataram-se Julio Prestes, apoiado pelo Governo, e Getúlio Vargas da Aliança Liberal com o apoio dos governantes do Estado do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e da Paraíba.
Ao vencer, Getúlio encabeça um movimento revoltoso que culmina com a deposição e deportação de Washington Luiz. Em 1930, faltando poucos meses para completar seu mandato, foi preso. No dia 20 de novembro desse ano, com permissão do Governo de Getúlio Vargas, partiu para a Europa com pessoas de sua família.
Como exilado viveu em países da Europa e nos Estados Unidos da América. Retornou ao Brasil em 1947. Logo Depois foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Passou a escrever livros e ensaios. Anteriormente já havia escrito: A Capitania de São Paulo. Escreveu, também, sobre João Ramalho e Antônio Raposo Tavares. Vários de seus trabalhos estão publicados na Revista do Instituto Histórico de São Paulo. Muitas praças, ruas, estradas e outros monumentos públicos do Brasil levam o nome de Washington Luiz.
Fontes:
Encyclopedia e Diccionario Internacional. Editores W.M. Jackson, In Rio de Janeiro e Nova York.
Grande Enciclopédia Brasileira de Consultas e Pesquisas – Novo Brasil Editora Brasileira Ltda.
Ensino Renovado de Biografias- FORMAR.
Museu da República-Centro de referência da História Republicana Brasileira.
Doutor Célio Debes- biógrafo.