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Risoterapia

João Baptista Galhardo

A televisão e a imprensa escrita têm feito apologia do riso. Até mesmo como tratamento profilático ou terapêutico da depressão. Já escrevi algumas vezes sobre o tema. Não será demais reapregoar os benefícios do sorriso. O bom humor, a risada e a alegria são os principais responsáveis pela interação entre pessoas de todas as idades. Sem bom humor morre-se por antecipação.

A felicidade e a infelicidade são estados de espírito. Todos têm o livre arbítrio de opção. Há uma frase na Bíblia que diz: "escolha neste dia a quem vai servir". A vida por si só cria tantos problemas que diluem nossa felicidade. Seria grande tolice se procurássemos ainda destilar infelicidade em nosso espírito. Os ressentimentos, os dissabores, a má vontade, os aborrecimentos e a inveja são componentes de que se serve o processo criador da infelicidade. O infeliz geralmente não sabe sorrir. E quem não aprendeu a sorrir é sempre uma companhia indesejável. O desmancha roda. O olho gordo. O seca pimenteira. Quantas vezes ficamos irritados com um restaurante ou um clube, em razão do atendimento funéreo de um garçom ou do porteiro? Ou de uma repartição pública, pela cara azeda do atendente?

Você sabe sorrir? Essa deveria (relembro) ser a primeira pergunta a ser feita a qualquer candidato a emprego público ou privado.

Sorriso, amor, educação e conseqüentemente bom humor, formam a receita para o sucesso. E sorrir não significa tão somente mostrar os dentes. Sorrir é questão de inteligência. Aprimora a saúde, abre portas e prolonga a vida. O sorriso começa na alma, filtra nos olhos e desabrocha nos lábios.

Se fosse tão somente colocar os dentes à mostra não teria explicação o sorriso belo e natural de um bebê banguela. O sorriso é elogio, lisonja, amor, bálsamo e chave para um relacionamento duradouro. Em qualquer pesquisa sobre a qualidade exigida de uma companhia aparece com destaque o bom humor. Madre Tereza de Calcutá já dizia: "toda paz começa com um sorriso." É a distância mais curta entre duas ou mais pessoas. "O coração alegre ajuda a sarar, mas o espírito abatido seca os ossos" (Provérbios, 17:12).

Nenhuma pessoa por mais bonita ou talentosa que seja terá sucesso na vida se todos a rotularem como pessoa antipática. Por outro lado obterá sucesso, se souber rir gentilmente para os outros. Não precisa se escancarar nem se aproximar de euforia ridícula, basta um sorriso sincero de canto de boca. Se não souber sorrir, melhor. Há muito se afirma que o sorriso é uma riqueza que não diminui. Beneficia quem sorri e os que o recebem.

São Francisco Sales diz que a alegria abre. E a tristeza fecha o coração.

Há pessoas perseguidoras de infelicidades. Incapazes de sorrir quando lhe contam algo engraçado. Mesmo que mostrem os dentes não disfarçam o mau humor patológico. Portam no sangue a toxina da ira e da tristeza, sem qualquer explicação. Não sabem que o sorriso é remédio. O mal-humorado é sempre um pessimista.

O Papa João XXIII dizia que o homem tem a idade do seu sorriso. E ele foi talvez o Papa mais simpático que o Vaticano já teve.

Oppenhein, com sua filosofia caseira citada por Cornegie (Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas) e adaptada por muitos, fazia questão de registrar que o sorriso nada custa, mas muito cria. Dura um segundo, mas a memória não esquece. Traz felicidade ao lar, ao trabalho, alimenta o bom relacionamento. É a senha dos amigos. É descanso para o fatigado. Incentivo para o desanimado. Alegria para o triste e terapia para o doente.

O sorriso não pode ser comprado, mendigado, suplicado, implorado, emprestado ou roubado. Ele deve ser dado naturalmente.

Não se deve levar a vida tão a sério.

Quer que a vida lhe sorria? Sorria para ela.

Afinal, ninguém vai sair vivo dela.

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