Revolta dos Profissionais da Enfermagem

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Foto: SISMAR

Luigi Polezze

Como já noticiado, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso suspendeu a lei que criou piso nacional de enfermagem (no valor de R$ 4.750,00 mensais). A suspensão foi decidida sob argumento de que esse piso foi deliberado pelo Congresso Nacional sem estarem cientes da capacidade financeira de cada cidade e Estados. Os congressistas deixaram de observar efeitos concretos do novo piso em hospitais já deficitários.

Vale apontar como, com base nesse piso, apenas 70% se aplicam para o Técnico de Enfermagem (cerca de R$ 3,3 mil); e 50% para o Auxiliar de Enfermagem e para a Parteira (cerca de R$ 2,3 mil). Mas o que isso significa para Araraquara?

Bem, hoje o salário de um enfermeiro é um valor volátil. A reportagem do JA encontrou aqueles que recebem em torno de 3 mil, até aqueles que passam dos 5 mil. Essa variação não fornece a segurança necessária para um importante profissional da saúde, que desempenharam papel tão relevante durante os anos pandêmicos. O novo teto significará, assim, um incentivo para futuras gerações que desejarem desempenhar o ofício.

Na última quarta (07), profissionais da área realizaram defesa do novo piso nacional da categoria, mesmo embaixo de chuva e frio. A irritação é fácil de entender: são trabalhadores essenciais e estão ganhando pouco. Pior: criaram expectativa com o aumento aprovado pelo Congresso Nacional. E, agora, estão frustrados, claro.

A reportagem do JA entrou em contato com pessoal da área para trazer a opinião à público, Carolini Fernanda de O. Silva, Enfermeira, nos conta mais.

“O novo piso salarial é um mérito, todos nós enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem, entre outras profissões do ramo, batalhamos diariamente, deixando nossas casas, nossas famílias e vidas para cuidar e salvar a vida daqueles que precisam.

Durante a pandemia fomos a linha de frente na assistência e no cuidado de algo certamente desconhecido, arriscamos nossa vida e a vida da nossa família para cuidar de todos.

Perdemos muitos colegas de profissão e entes queridos. Atuamos na administração da vacinação, do início até o dia de hoje.

Fomos até mesmo chamados de heróis.

Mas esses heróis estão sendo impedidos de receber merecidamente o seu salário digno. O seu salário “justo”. Aquele que é nosso por direito.

O que seria de uma unidade de atenção básica, de um pronto atendimento ou de um hospital sem nós enfermeiros? Pensem em apenas um dia sem nenhum de nós. Conseguem imaginar?

Seria um caos.

Precisamos de mais valor.

MERECEMOS o novo piso salarial, trabalhamos e batalhamos por isso.

E mesmo não sendo enfermeiros, as pessoas precisam nos apoiar, pois somos nós que estaremos lá quando elas precisarem.”

O Jornal de Araraquara também questionou o posicionamento da Santa Casa a respeito do novo piso salarial, conseguindo a seguinte resposta:

A Santa Casa de Araraquara informa que reconhece a legitimidade da Lei 14.434/2022 sobre a fixação do novo piso salarial nacional para os Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de enfermagem, publicada em 04 de agosto de 2022.

A diretoria do hospital entende ser justo o pleito da categoria por melhorias salariais. Entretanto, assim como outras entidades de saúde, aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

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