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Responsabilidade cosmoética individual

Daniel Muniz (*)

Assumir a responsabilidade pelos efeitos do que se pensa, sente ou executa, nem sempre é tarefa agradável ou fácil. O alto nível de corrupção social em todo o planeta é gerado pelas autocorrupções individuais. Em todos os setores da vida humana, viver de modo inconseqüente denota inexperiência e imaturidade.

Em Conscienciologia o estudo prioritário é o da responsabilidade cosmoética individual. A palavra “responsável” refere-se, entre outras acepções, a aquele que “responde pelos seus atos, ou aquele que foi causador de algo”. Sabendo isso, e assumindo a responsabilidade, a tendência natural da personalidade saudável é mudar de atitude, e não continuar no erro.

Vejamos, para exemplificar a questão, a responsabilidade sobre do vício tabagista, que pode matar: ao avaliar a infinidade de informações e o amplo debate “tabagismo versus anti-tabagismo”, chega-se às ações de indenização contra os fabricantes. Porém, cabe questionar: até que ponto há, nestas ações, uma exclusão, por parte do fumante, da responsabilidade quanto aos efeitos de seus atos? Afinal, depende de quem a escolha de não começar a fumar ou de parar de fumar?

O estudo das responsabilidades cosmoéticas dos indivíduos também nos leva a verificar como argumentam as empresas produtoras de cigarros. Toda empresa é feita e comandada por pessoas. Que maturidade quanto à responsabilidade pelos próprios atos tem alguém que vive de um produto que faz mal ao usuário deste mesmo produto? Vejamos a argumentação dos responsáveis pela indústria do tabaco:

1. Em 1996 a maior fabricante de cigarros do mundo, Philip Morris, havia sido condenada a pagar 246 bilhões de dólares para cobrir gastos com tratamentos de fumantes. Desde então, passou a admitir a existência de “riscos quanto aos danos do cigarro à saúde” e “consenso médico e científico que fumar pode causar câncer de pulmão, enfisema e doenças cardíacas”. A atitude pretendia evitar ações na justiça por propaganda enganosa e ocultação de informações. A idéia era advertir que o cigarro é perigoso para a saúde, visando tornar mais difícil que fumantes pedissem indenizações na Justiça.

2. No Brasil, em 03/09/2003, o gerente de marketing da Souza Cruz afirmava que a atitude de revelar uma lista com a composição do cigarro e da fumaça foi uma decisão que representava “mais um passo na direção de reafirmarmos nossa responsabilidade e transparência”. É o mesmo argumento da Philip Morris, revisitado.

Daí surge a situação de anti-responsabilidade: o fumante arrependido “empurra” a responsabilidade para o fabricante e este, por sua vez a “empurra de volta”. Sem comprador não há venda. Sem agente causador, não há doença.

(*) É jornalista e professor do Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia.

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