A reativação do Centro Coletor de Álcool de Araraquara é um importante passo na estratégia da Petrobras Distribuidora.
Até o segundo semestre de 2005, a maioria dos centros coletores de álcool que estão fora de operação voltará a funcionar. Isso permitirá à Companhia suprir eventuais aumentos na demanda, já que está previsto maior movimento de exportações do produto para grandes mercados asiáticos, como Japão e China. Além disso, tem havido um incremento no consumo interno, com a produção em escala dos carros bicombustíveis álcool-gasolina (flex fuel).
Os centros coletores têm importante papel na redução do Custo Brasil, pois armazenam o álcool produzido e disponibilizam o produto, por via ferroviária, até os terminais da Companhia, de onde o combustível é bombeado através de dutos para os grandes centros consumidores. “A gestão destes centros coletores dará à BR um ganho logístico considerável, pois o modal ferroviário é bem mais barato do que o rodoviário”, resume Ivan Pacheco, gerente executivo de Operações da Petrobras Distribuidora.
Próximos às regiões produtoras, cercados de destilarias, os centros coletores permitem a estocagem de grandes volumes do combustível, possibilitando à Companhia maximizar seus ganhos e explorar novas oportunidades de negócios no setor. Entre as opções estão o aluguel dos tanques para as usinas estocarem seu álcool durante o período de moagem da cana.
Produtividade
Outra possibilidade de negócio é a utilização dos tanques como fonte de coleta de álcool visando o mercado externo. Isso porque parte do produto comercializado pelo Brasil no exterior não é utilizado como combustível, mas para fins industriais. Como o álcool usado na fabricação de bebidas, medicamentos e em outras atividades não pode conter hidrocarbonetos o que forçosamente acontece quando são usados no transporte os mesmos equipamentos dos demais derivados o produto destes centros será isento de contaminantes, e, portanto, ideal para a exportação.
Construídos na época do Pro-Álcool, quando a Petrobras tinha um papel relevante na comercialização e distribuição do álcool, os centros coletores foram perdendo sua função à medida que a empresa foi saindo de cena neste mercado. “É natural que a BR, agora responsável pela comercialização de boa parte do álcool anidro e hidratado produzido no Brasil, reative estes centros, que por sua localização estratégica oferecem grandes vantagens operacionais”, explica Ivan Pacheco.
Além das unidades de Araraquara e de Ourinhos (MG), até o segundo semestre de 2005, deverão passar por reformas os centros coletores de Betim (MG), Santa Adélia (MG), Sertãozinho (SP), Paulínia (SP), Londrina (PR) e Aracaju (SE). A capacidade total estimada das oito unidades é de 95 mil metros cúbicos.
O Centro Coletor de Álcool de Araraquara ocupa uma área de 42 mil metros quadrados, possui tancagem com capacidade de 10 mil metros cúbicos e irá abastecer, por via ferroviária, o Terminal de Paulínia (TEPLAN). O CERAQ iniciou suas operações em 1983 e estava desativado desde 1999. “A unidade tem importância estratégica, por ligar modais de transporte ferroviário e dutoviário, garantindo o escoamento do produto com maior eficácia e menor custo para os maiores centros consumidores como São Paulo e Rio de Janeiro”, avalia Alexandre Cotrim, gerente executivo de Suprimentos da Petrobras Distribuidora.
A unidade irá atender aos produtores de álcool localizados próximos a Araraquara, melhorando a estrutura de logística que atende ao Terminal de Paulínia. Nos períodos de entressafra, o CERAQ poderá ser utilizado para estoque estratégico.