Os números provam que não é verdade que há servidores públicos em excesso no Brasil

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Autor: Antonio Tuccilio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

Os servidores públicos são o foco de reportagens periódicas na imprensa e perseguições de uma parte da classe política. Sempre ouvimos o mesmo discurso: “o Brasil gasta demais com o funcionalismo público e há servidores demais no país”. O fato é que esses comentários são embasados em estudos distorcidos, com dados tendenciosos.
Em comparação a outros países, o Brasil tem percentual proporcional de servidores em relação à população. A cada 100 trabalhadores, 12 são servidores públicos. As nações mais ricas do mundo têm proporção superior: 18 para 100 trabalhadores. Até mesmo os Estados Unidos, que muitos tratam como “exemplo de estado mínimo” têm mais servidores que o Brasil. Lá de 100 trabalhadores 15 estão no setor público. Onde está o excesso de servidores no Brasil?
Quanto aos gastos, analisando os investimentos em diferentes esferas governamentais com o pagamento de salários, vimos que nos últimos 15 anos o montante de despesas com o funcionalismo praticamente não se movimentou e está em torno de 10% do PIB brasileiro.
Em comparação aos gastos de outros países, o Brasil aparece em 30º lugar entre 34 países que disponibilizam dados. Isso significa que nosso país é um dos que menos gasta com o funcionalismo em relação à quantidade de habitantes. Está aí um dos motivos para justificar a dificuldade em garantir o acesso universal a serviços públicos de qualidade.
No Brasil, não há excesso de servidores públicos, nem “parasitas”, como alguns políticos gostam de classificar os trabalhadores. O que tem de sobra por aqui é desvalorização dos servidores e do trabalho realizado pela categoria. Essa campanha articulada de desmonte existe há muito tempo e se reoxigena periodicamente para prejudicar a imagem de cerca de 12 milhões de médicos, enfermeiras, técnicos de enfermagem, policiais, professores e tantas outras profissões dignas e essenciais. (Ana Lívia Lopes –  www.textoassessoria.com.br)

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