O raiar do sol pós-pandemia

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Texto: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

Hospitais públicos informando ter “zerado” a internação por Covid-19 e o retorno à rotina pré-pandemia. Volta das cirurgias eletivas, suspensas no ano passado porque as vagas de leitos e UTI foram ocupadas para socorrer as vitimas do mal epidêmico. Aplicação da terceira dose de vacina, começando pelos idosos que já receberam a segunda há 180 dias. Expectativa da suspensão do uso obrigatório da máscara, cuja decisão no Estado de São Paulo promete-se anunciar na próxima segunda-feira, dia18. Tudo nos parece o cenário de uma bonita manhã de sol, prenúncio de que a tempestade já passou, embora ainda nos incomodem os danos por ela causados, especialmente as 600 mil vidas brasileiras perdidas. Outro detalhe positivo é a ocorrência apenas 167 mortes nas 24 horas encerradas na noite de domingo. Apesar de morte & ;nunca ser boa notícia, temos de considerar que ocorrer só esse número num dia é uma vitória num país onde já lamentamos mais de 4200 óbitos nesse mesmo intervalo.
Com todos os efeitos colaterais da grande parada de produção a que fomos submetidos, as expectativas são boas. É preciso, nesse momento, adotar medidas de combate à inflação. Além disso, encontrar alguma forma de tornar menos agressivos os reajustes nos preços dos combustíveis, que são internacionais, fogem de nosso controle, mas prejudicam sensivelmente a economia popular. Talvez mudanças na estrutura de impostos, notadamente os estaduais, possam contribuir nesse momento difícil. A suspensão das restrições à movimentação de pessoas e a sua entrada nos estabelecimentos traz de volta o trabalho e a oportunidade de recuperar as perdas.
O novo quadro tem neste momento um importante teste. O feriado desta terça-feira – Dia de N. S. Aparecida e da Criança – terá mobilizações e festas públicas e particulares. Os que delas participam devem observar as regras básicas de proteção. A máscara ainda é exigência e também o distanciamento de um metro entre as pessoas, bem como a não aglomeração, especialmente em ambientes fechados. Devemos considerar que embora tenha diminuído seu alastramento, o vírus ainda permanece e pode infectar quem não se cuidar. Já que a melhor proteção e garantia contra os males da Covid-19 é não contraí-la, interessa observar as precauções. Considerar, por exemplo, que se o nível de infestação voltar a subir, regridiremos para o quadro de semanas ou meses atrás, suspendendo novamente o tratamento que os hospitais estão voltando a disponibilizar. Isso, se ocorrer, prejudicará em muito os usuários.
Outro ponto a observar está nas pessoas que receberam a primeira dose da vacina e não retornaram para a segunda. São 18 milhões em todo o país e 4 milhões só no Estado de São Paulo. Independente do motivo que os tenha ausentado, é do seu próprio interesse completar a imunização, pois com isso os riscos serão menores mesmo com a Covid-19 caminhando para o seu final. Tudo o que pudermos fazer para preservar a saúde é importante porque depois de perdê-la, tudo é mais difícil.
Finalmente, vamos pedir aos políticos, que se portam como verdadeiras aves de rapina. que parem de tentar obter vantagens eleitorais a partir do sofrimento do povo. Pensem que, se esse mesmo povo acordar (o que não é difícil) os que tiram proveito da situação, em vez de votos, poderão ganhar a justa e merecida rejeição…

(*) É dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) – [email protected]

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