Renato Bellote Gomes (*)
Um importante grupo de 98 atletas chegou numa manhã de sexta-feira a São Paulo, trazendo nada menos do que 33 medalhas para o Brasil. Mas, ao contrário do milionário mundo do futebol, esses heróis nacionais não têm nada além da força de vontade que os movimenta pelas piscinas e pistas em busca da vitória: são os atletas paraolímpicos.
A idéia de uma competição para atletas especiais surgiu por iniciativa de um neurologista alemão, em 1948, com a participação de veteranos de guerra. O desejo de estimular essas pessoas a superar barreiras fez com que o nome oficial de “Olimpíadas dos Portadores de Deficiência” surgisse no ano de 1960, em Roma, com a participação de aproximadamente 400 atletas. As modalidades esportivas também evoluíram e, atualmente, contam com 19 categorias.
O Brasil teve sua primeira participação oficial na Olimpíada da Alemanha, em 1972, e não obteve nenhuma medalha, que veio quatro anos depois, na disputa da bocha. Nas edições seguintes, houve um aumento das delegações e também o número de medalhas, com a obtenção, inclusive, do primeiro ouro. As paraolimpíadas de 1988, 1996 e 2000 ficaram marcadas com os melhores resultados para o país.
A edição de 2000, em Sydney, foi uma das mais significativas para o Brasil, pois houve um reconhecimento do esporte e sua divulgação através de rádio e televisão. Os nossos atletas conseguiram a 27ª posição no ranking e novos talentos surgiram. Por fim, Atenas fica marcada como a melhor participação na história do esporte, com vários recordes quebrados. O número de medalhas também foi destaque, sendo 33 no total, além da 14ª posição geral entre os países.
As paraolimpíadas representam um lado muito importante do ser humano. Num país como o Brasil, onde o esporte não tem seu devido valor, os atletas especiais mostram que muito mais do que medalhas de ouro, prata e bronze, trazem no peito a vontade de superar novos limites a cada dia.
(*) É bacharel em Direito e leitor do JA.