O síndico da Vila
Depois de 47 anos de carreira, Walter Breda vive seu primeiro personagem popular na tevê
Texto Cintia Lopes/PopTevê
Quem vê Walter Breda em “América” na pele do carismático Seu Gomes, não imagina que o ator acumula 47 anos de carreira. Apenas agora, porém, Walter tem a oportunidade de integrar o elenco de uma novela global. A espera parece ter valido a pena. Seu Gomes, interpretado por ele, definitivamente caiu no gosto popular. O bordão “copiou?” também tomou conta das ruas. A popularidade é tão surpreendente que o ator não consegue mais realizar incógnito as tarefas comuns do dia-a-dia. Walter conta que ir ao supermercado, por exemplo, se tornou um programa complicado. “Realmente não imaginava que a televisão tinha um poder tão grande”, avalia. Apesar da surpresa, Walter garante que nunca almejou o estrelato. “Sonhava em fazer um trabalho na tevê, mas nem precisava de uma repercussão tão grande assim. Queria mesmo era dar uma aliviada na barra econômica”, confessa o ator de 56 anos.
Ainda não seria desta vez, porém, que Walter entraria numa novela na Globo. Na ocasião, o ator havia acabado de pedir licença de um espetáculo em São Paulo para descansar. Era justamente a mesma semana que a produtora de elenco Frida Richter recrutava os atores que restavam para atuar na trama de Glória Perez. Por isso mesmo Walter foi surpreendido pelo telefonema. “Foi tudo tão inesperado… Acho que por isso está dando tão certo”, acredita. O inusitado é que Seu Gomes estava reservado para ser interpretado inicialmente por Francisco Milani. “Nessas coincidências que acontecem na vida, o Milani já estava comprometido com outros trabalhos e não pôde aceitar”, explica.
Sorte de Walter. Depois de atuar em novelas como “A Pequena Travessa”, do SBT, em que vivia o paralítico Rafael, e “Ana Raio e Zé Trovão”, exibida em 90, na extinta Manchete, em que interpretava o Padre Lizâneas, Walter acumulou uma série de participações em minisséries da Globo. O trabalho mais marcante até então foi como o comerciante Antônio, pai de Zezinho, vivido por Leonardo Miggiorin em “Presença de Anita”. “A diferença era que o Seu Antônio era dono de uma mercearia”, recorda. Também atuou em “Os Maias”, de 2001, e “O Quinto dos Infernos”, no ano seguinte. “Mas nada que se compare a popularidade do Gomes”, avalia.
Por isso mesmo, o ator confessa que ficou um tanto preocupado com o destino do personagem após a revelação de que Gomes é o pai de Farinha, interpretado por Mussunzinho. “Acho que o público ficou tão chocado quanto eu”, arrisca. O susto maior aconteceu com a chegada de Dalva, vivida por Solange Couto, em Vila Isabel. “O Gomes poderia ser transformado de herói a vilão em dois tempos. Ainda bem que não aconteceu”, diz.
Para compor o jeito autoritário mas, ao mesmo tempo, companheiro de Seu Gomes, Walter foi buscar inspiração na própria família. “O tio João foi o Seu Gomes da minha vida”, recorda, antes de emendar. “Ele era civil, mas trabalhava no Exército. O jeitão sistemático e a mania de ordem eram as mesmas”, diz, aos risos. Bem diferente do ator. “Sou desorganizado aos extremos. Mas criei um certo método para organizar minha bagunça”, garante.
A boa repercussão do trabalho de Walter na tevê, sem dúvida é mais que merecida. Afinal de contas, desde os dez anos de idade, o ator exerce a profissão. Walter começou a carreira atuando em rádio novela na Rádio Jornal do Commercio, no Recife, e participou de alguns dos primeiros programas de tevê produzidos em Pernambuco. “Tudo tem o seu momento. Nunca sonhei em fazer novela na Globo, mas confesso que estou adorando esta fase”, comemora.