Sarah Coelho Silva (*)
A cada dia aparece uma dor nova.
São sempre as bactérias oportunistas
Tomando conta deste corpo frágil, sem resistência.
Acho que estou com uma alergia contagiosa:
A assombrosa corrupção que toma conta do meu corpo.
Se assisto televisão, situação do meu cotidiano,
Não consigo ficar sentada, em paz.
Se me envolvo nas folhas dos jornais, a situação piora.
Começo a espirrar sem parar, sentindo um cheiro forte.
Vou ficando toda arrepiada, com vontade de correr.
O meu coração dispara diante do disparate escrito.
São tantas páginas comentando a impunidade.
Os agentes acabam livres, por causa dela, a impunidade.
Ao escutar o meu radinho, o assunto é o mesmo,
Falando dos políticos corruptos.
Fico hipnotizada, uma surdez por conveniência.
Ainda bem, é melhor o sagrado silêncio
Do que sofrer poluição sonora, sem freios.
Discutir a corrupção, nem pensar.
Fico nervosa, parecendo pessoa ignorante.
Na verdade, é melhor ser mal informada que
Passar as noites com pesadelos intermitentes.
É tamanha a indignação de todos que
Ficar calado significa fazer uma opção:
Saúde mental para vencer a situação de fazer dó.
Os corruptos pensam que nascemos ontem,
Que somos cidadãos “bobinhos” de memória fraca
Ou que vamos aceitar “acordão para dar jeitinho em tudo”.
Sigamos o exemplo do ex-presidente Prudente de Moraes
Que deixou seu nome em milhares de cidades.
Deixou seu nome na nossa história, com benfeitorias
Garra e atos de bravura nas lutas e conquistas.
Ficando como um símbolo da dignidade.
Partiu o Dr. Prudente José de Moraes Barros,
O homem que empobreceu nos quatro de governo,
Na madrugada de 3 de novembro de 1902.
Sob copiosa chuva seguiu a multidão em pranto
Até ver desaparecer na campa o corpo do lutador.
Pela família, República e sua querida Piracicaba.
(*) É escritora e colaboradora do JA.