A recuperação da história da Câmara Municipal começa a ganhar forma com a coleta de dados pela chefia de Protocolo, Arquivo e Memorial. Um trabalho que deve disponibilizar informações úteis. Criado pelo Projeto de Resolução número 350 da vereadora Edna Martins, o Memorial de Araraquara vai criar um acervo histórico da Câmara e colocá-lo para consulta: internet e no local.
Para Euripes Ancelmo, o processo é lento devido à pesquisa de documentos. "Embora o arquivo da Câmara esteja todo catalogado e organizado, temos apenas uma pequena parte digitalizada. Por isso, trata-se de um trabalho manual, de verificação de cada documento gerado desde 1948".
Outra dificuldade encontrada é a coleta de dados anterior a 48. "Parte das informações estão no arquivo histórico municipal e teremos que consultá-lo", lembra Euripes. "Mas existe muita coisa que deve estar com as famílias de ex-vereadores e teremos que contar com a doação desse material", disse.
175 anos
Criada por Decreto Regencial de 13 de novembro de 1832 (10 anos após a Independência do Brasil), a instalação da Vila de São Bento de Araraquara deu-se em 24 de agosto de 1833, quando assumiram em primeiro mandato os 7 vereadores eleitos para o período de 1833 a 1836.
O primeiro presidente foi Carlos José Botelho, que mais tarde viria a fundar a Freguesia de São Carlos do Pinhal. A criação da Câmara aconteceu porque a cidade foi elevada, na época, de Freguesia para a categoria de Vila. Até 1930 o poder do vereador se sobrepunha ao do prefeito, que tinha mandato por apenas um ano.
Com a instalação da Câmara começa a história administrativa autônoma do Município, o que significa que as decisões de interesse local passaram a ser tomadas na própria Vila de São Bento de Araraquara. Antes as decisões eram tomadas pela Câmara da Vila de Constituição, nome que tinha a cidade de Piracicaba.
Para Euripes, são dados como esse que precisam ser recuperados e oferecidos para a população. "Atualmente os arquivos da Câmara estão organizados, catalogados e bem conservados. Temos praticamente todas as informações desde 1948, mas faltam dados sobre os períodos anteriores".
Estado Novo
Euripes explica que durante o Estado Novo, entre 1937 e 1945, os municípios brasileiros não tinham câmara municipais. "Quando Getúlio Vargas deu o golpe de estado e assumiu a presidência da República como ditador, os vereadores foram cassados e as decisões legislativas transferidas para a capital do Estado".
Com o final da ditadura Vargas, a democracia retornou ao País e as eleições foram convocadas para 1946, com a primeira legislatura iniciando em 1947. "Tanto que consideramos que hoje estamos na 14ª legislatura, ou seja, é a 14ª composição da Câmara após o Estado Novo", explica Euripes.
O chefe do Memorial pede que as famílias de ex-vereadores e ex-funcionários que tenham algum material que enviem para a Câmara. "Se não quiserem doar nós faremos cópias, pois é importante para preservarmos nossa história".
Gravações
Outro trabalho que o Memorial vai iniciar em breve é a gravação, em vídeo, de entrevistas com ex-representantes do legislativo. "É a história viva da Câmara Municipal e precisamos aproveitar essa oportunidade", diz Euripes. "Desta forma faremos justiça aos fatos e personalidades que marcaram sua trajetória histórica".