Mais tecnologia, menos poluição

(*) Sebastião Almeida

Os automóveis estão entre os grandes vilões que provocam a poluição do ar nas grandes cidades. A frota de veículos, cada vez maior, sempre foi uma preocupação dos ambientalistas e dos agentes de saúde. A situação é ainda pior nessa época do ano, em que o ar seco contribui para aumento das doenças respiratórias, que atingem principalmente as crianças e idosos.

Em compensação, a participação dos veículos na poluição atmosférica diminuiu sensivelmente. Levantamento realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente revela que a emissão de gases tóxicos veiculares foi reduzida em 99% nos últimos 20 anos. Esse avanço só foi possível graças à evolução tecnológica dos veículos, substituição do carburador pela injeção eletrônica e introdução do catalisador nos motores. Para se ter uma idéia do quanto o automóvel brasileiro evoluiu, em 1986 um carro lançava no ar, em média, 54 gramas de monóxido de carbono por quilômetro rodado. Hoje, esse índice caiu para 0,3 grama por quilômetro. Ou seja, a diferença é brutal.

Como era de se esperar, houve grande impacto no número de internações hospitalares e tratamentos de doenças em decorrência da poluição. A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) calcula que, entre 1996 e 2005, mais de 15 mil mortes por problemas cardíacos e pulmonares foram evitadas na região metropolitana de São Paulo.

Sem dúvida, trata-se de uma excelente notícia e temos de comemorar. O problema é que se não forem desenvolvidas novas formas de redução da poluição dos automóveis, renovação dos carros mais antigos e controle do aumento da frota que circula nas ruas, em pouco tempo o problema voltará a ser grave. Caso não haja programas nesse sentido, o simples aumento de carros em circulação fará com que, em pouco tempo, os níveis de poluição atinjam os mesmos índices de 20 anos atrás.

Além de continuar incentivando o desenvolvimento de novas tecnologias ambientalmente corretas, é necessária uma ampla articulação entre o setor público e a sociedade para desestimular o transporte individual. Ao poder público, cabe abandonar o marasmo em que se encontram as políticas de desenvolvimento do transporte de massas. Em cidades como São Paulo, não há outra alternativa que não passe pela expansão do metrô. É um meio de transporte caro? Sim, mas isso não pode servir de desculpa para a expansão a conta-gotas da malha metroviária. Oferecer conforto para as pessoas e poupar vidas, isso sim não tem preço.

Algumas medidas mais simples podem ser tomadas a curto prazo, inclusive por nós todos. Amplas campanhas educativas para estimular a carona, a bicicleta em trajetos muito curtos e até mesmo o hábito de deixar o carro em casa sempre que possível e utilizar mais os sistemas de transporte disponíveis vão contribuir para manter o controle da emissão de gases.

Estudos como o da UFRJ mostram que o país já conquistou algumas vitórias, mas ainda é muito pouco diante do que é necessário fazer. Apenas quando todas essas medidas estiverem incorporadas na mente dos cidadãos e o poder público finalmente tratar o transporte coletivo como prioridade é que poderemos respirar aliviados.

(*) É deputado estadual pelo PT, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água. E-mail: gotadagua@sebastiaoalmeidapt.com.br.

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