JORNAL DE ARARAQUARA
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Eleição na internet

Vivemos um fenômeno novo: primeira eleição de presidente e governador onde as redes sociais da internet são realmente abrangentes. As campanhas dos candidatos já perceberam, utilizam Facebook, Twitter, Instagram e outros sistemas. Verifica-se inclusive o "tiroteio" entre partidários dos candidatos num território que ainda não dispõe de regras e teoricamente deve obedecer a legislação vigente para outros meios de comunicação. Mas, por suas peculiaridades e diferença em relação às mídias tradicionais, a web deixa brechas que, bem exploradas, tendem a tornar diferente esse período. Difícil prever, no entanto, se a diferença será para melhor ou pior.

O Brasil democrático ainda não encontrou um meio para regular as campanhas e principalmente a propaganda eleitoral. Ainda ecoam na sociedade as campanhas populistas do período 1946-64 onde pontificaram Adhemar de Barros, Jânio Quadros, Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek. A história também registra a retórica populista de Getúlio Vargas. Lembra, igualmente, dos governos militares onde as eleições foram mantidas, muitos políticos cassados e a propaganda restrita, uma fase onde o desprestígio da classe foi tão grande que se chegou ao absurdo de indivíduos que exerciam funções meramente políticas declararem "eu não sou político". Na redemocratização tentou-se evitar o populismo desenfreado de antes e criar mecanismos para impedir abuso do poder econômico e outros fatores desequilibrantes das campanhas. Mas até agora não se encontrou a formula adequada e as campanhas constituem uma verdadeira ficção, pois não promovem o desejado encontro entre candidato e eleitorado.

A inclusão das redes sociais e demais recursos da internet precisam ser observados criteriosamente. Pode estar aí o grande elo candidato-eleitor. Não devemos nos esquecer de que além dos computadores, existem dispositivos móveis smartphone, tablets e assemelhados que estão por toda parte e, pela quantidade em operação, se bem acessados, podem desequilibrar qualquer tendência. (Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL - Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo. aspomilpm@terra.com.br)