Importância do esporte para crianças e adolescentes

0
106
Foto Ilustrativa: Freepik

Um dos principais benefícios que as atividades físicas proporcionam na fase da infância e da adolescência, por meio dos esportes, é o estímulo ao desenvolvimento ósseo e neuromuscular. Estudos demonstraram que o simples ato de realizar caminhadas diárias programadas, por duas horas, aumenta a densidade mineral óssea de crianças em idade escolar submetidas ao exercício, quando comparadas a grupo controle.

Segundo o ortopedista pediátrico Nei Botter Montenegro, vice-presidente do Depto. de Ortopedia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), o esporte tem grande importância como forma de incentivo às atividades físicas das crianças e adolescentes. “Além do desenvolvimento físico, as atividades esportivas incrementam a interação social entre as crianças e adolescentes, e a autoestima, auxiliando na prevenção de doenças relacionadas à obesidade, cada vez mais prevalente nessas faixas etárias, além daquelas ligadas ao comportamento e à psique, independentemente da faixa socioeconômica da família.”

Para o médico, orientar a família quanto à introdução do esporte, assim como quanto à prevenção de lesões a ele relacionadas, seja na infância ou adolescência, faz parte da prática clínica. “Pode-se orientar os responsáveis a definir como o melhor esporte aquele que, sendo apresentado aos seus filhos, revele-se como o que eles mais gostarem e se identificarem; parece óbvio, mas muitas vezes surgem situações em que os pais insistem em manter as crianças e adolescentes em esportes que não lhes agradam, ou em que não apresentam um bom desempenho, criando uma experiência frustrante para eles, tendo como resultado o abandono e o desincentivo à atividade física em suas rotinas”, revela o ortopedista.

Ele diz que para as crianças menores, a orientação deve ser baseada em fazer diferentes tipos de esporte, não encorajando a competição e priorizando o desenvolvimento individual. Por essa razão, a prática esportiva deve ter caráter lúdico, apresentada nessa fase da vida como uma brincadeira, sem exigir performance. “É muito comum a criança desistir de uma modalidade pelo seu baixo rendimento, principalmente em esportes coletivos. Esta má experiência psicológica muitas vezes é tão ou mais importante que uma lesão física, denominada ‘burnout’ do atleta mirim. Frequentemente a frustração funciona como desestímulo a qualquer outra atividade física futura, mesmo na idade adulta”, afirma.

Quanto à escolha do esporte, ele pontua que é preciso levar em conta a idade. “Entre 2-5 anos de idade, a habilidade motora é limitada, com as reações de equilíbrio ainda não definidas, dificuldade para atenção seletiva, sendo o aprendizado egocêntrico, por erros e acertos”, esclarece. Quanto à visão, ressalta Montenegro, a criança é inábil para acompanhar objetos em movimento e avaliar velocidades. “Deve-se enfatizar as habilidades fundamentais, as instruções simples e o aspecto lúdico, com treinos em circuitos de atividades, sob supervisão adequada. Na prática, as escolas de esportes são bem indicadas entre 4-6 anos de idade, por apresentarem muitas modalidades esportivas à criança, até que esta, no futuro, acabe se adaptando melhor a uma modalidade específica”, destaca.

Entre 6-9 anos de idade, segundo o especialista, ocorre a melhora do equilíbrio e das reações automáticas. Quanto ao aprendizado de regras, pode haver dificuldade de atenção, com o início do desenvolvimento da memória, ainda com limitação para decisões rápidas na prática esportiva. A visão melhora, com capacidade para acompanhar objetos móveis, mas com alguma dificuldade no direcionamento. “Os esportes praticados com regras flexíveis são mais bem aceitos, o que permite sua prática no tempo livre das crianças, com poucas instruções e o mínimo de competição. Começam a ser indicadas as escolinhas de futebol, esportes de quadra, judô e natação”, observa o ortopedista.

“Entre 10-12 anos, a habilidade motora melhora, com o aumento da capacidade de atenção seletiva e do uso da memória para estratégia em jogos, apesar de certa dificuldade de equilíbrio, relacionada ao crescimento rápido da puberdade”, declara o especialista, salientando que com a visão no padrão adulto, pode-se enfatizar o desenvolvimento de habilidades, táticas e estratégias em grupos com maturação similar em praticamente todos os esportes coletivos de quadra, tênis, artes marciais e demais modalidades. “Nessa fase, o esporte preferido é escolhido pelo adolescente, geralmente de acordo com seu gosto e sua performance”, aponta.

O médico explica que o esporte faz bem à saúde, entretanto, existe uma linha-limite. “Estudos têm como premissa que atividades esportivas intensas acima de 16 horas por semana aumentam a incidência de lesões”, enfatiza. De acordo com a orientação dada pela American Academy of Sports Medicine, os atletas em crescimento devem praticar uma modalidade esportiva (evitar fazer vários esportes), com frequência de três treinos semanais, acrescidos de um dia de competição, devendo haver intervalo de um dia entre os treinos para a recuperação física. “Enfim, a prática esportiva auxilia no desenvolvimento físico, mental e social das crianças e adolescentes, melhorando a saúde dos mesmos também até, e também, na fase adulta”, conclui Montenegro.

Flávia Lo Bello (Vérité Comunicação – Assessoria de Imprensa SPSP)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.