Honrados “caloteiros” salvam a economia

Antonio Delfim Netto (*)

Muito pouco se tem falado sobre a performance da agricultura nesses últimos dois anos. Bastou ampliar o crédito ao setor e liberar o dinheiro na hora certa, para que os agricultores respondessem com uma safra de 100 milhões de toneladas de grãos em 2002. Talvez seja este o único sucesso a comemorar ao final do segundo mandato do presidente Fernando Henrique. Ele só acontece porque o ministro Pratini de Moraes foi capaz de dobrar as resistências da área econômica do governo, impondo a expansão do crédito rural e lutando por sua liberação em tempo para o plantio. Depois de cinco anos de patinação, a agricultura respondeu rapidamente aos estímulos do crédito e principalmente do câmbio flutuante, aumentando a produção de 76 milhões para as 100 milhões de toneladas que eram o objetivo do primeiro mandato.

Foram os sofridos ruralistas, acoimados de "caloteiros" pela imprensa servil ao governo, que taparam o rombo das contas externas ao proporcionar um superávit comercial de 19 bilhões de dólares. Sem esse resultado, o Brasil teria feito um papelão parecido com o da Argentina. Além de reduzir o desequilíbrio de nossas contas externas a produção rural vai impedir que o PIB este ano tenha um crescimento praticamente nulo. Com a queda continuada do nível de atividade nos demais setores da economia, a taxa de crescimento do PIB está sendo revista para um intervalo entre 1,5% e 1%. Provavelmente será negativo em termos de crescimento per capita, mas o desastre seria maior se a agricultura não tivesse produzido o que produziu.

Há um efeito muito mais importante: é a oferta de alimentos que vem garantindo o salário real dos trabalhadores. Ainda que salário real tenha caído, não há a menor dúvida que os preços agrícolas foram os que cresceram menos durante o plano Real. Hoje, é um fato reconhecido que todo o aumento de produtividade da agricultura é transferido, via preços, aos consumidores, como sempre foi, aliás. Nas atuais circunstâncias, de baixo crescimento econômico, aumento do desemprego e queda do salário real, é esse aumento da oferta de alimentos que tem evitado o agravamento da miséria que atinge alguns milhões de brasileiros.

Mais do que nunca, é preciso ampliar o suporte ao setor rural, expandindo não somente o crédito de custeio das lavouras, mas revigorando as condições de financiamento para a compra de implementos e para os investimentos na modernização dos meios de transportes, dos sistemas de irrigação e de processamento da produção . E também reduzir a tributação e baixar os juros. Depois de perseguidos pelo governo durante longo período, os nossos honrados "caloteiros" demonstraram nesses últimos dois anos que têm uma enorme capacidade de se recuperar e de contribuir decisivamente para a melhoria da produtividade de nossa economia. Nenhum governo decente pode abandonar a agricultura.

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