Hepatite aguda grave de causa desconhecida

0
116

Em 5 de abril de 2022, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recebeu notificação de dez casos de hepatite aguda grave, de causa desconhecida, em crianças previamente saudáveis de 11 meses a cinco anos de idade na Escócia (sendo um caso com início em janeiro de 2022 e nove casos com início dos sintomas em março de 2022). Todas as hepatites virais foram excluídas e o coronavírus (Sars-CoV-2) e/ou adenovírus foram detectados em vários casos.

Todos os casos necessitaram de internação e sete precisaram de transplante de fígado. Também foram notificados casos em outros países até 22 de abril de 2022, como Bélgica, Dinamarca, França, Irlanda, Israel, Itália, Holanda, Noruega, Romênia, Espanha e Estados Unidos. Investigações ativas de detecção de casos identificaram mais 34 confirmados desde a última atualização em 25 de abril, elevando o número total para 145. Dos casos confirmados, 108 são residentes na Inglaterra, 17 na Escócia, 11 no País de Gales e nove estão na Irlanda do Norte. Nenhuma criança morreu e nenhuma delas tinha tomado algum tipo de vacina contra Covid-19.

Autoridades da Indonésia confirmaram em 2 de maio que pelo menos três crianças morreram devido a uma hepatite aguda de origem desconhecida. Em 5 de maio, a Argentina confirmou seu primeiro caso. O Reino Unido observou, recentemente, um aumento do adenovírus, que está circulando com o Sars-CoV-2, embora o papel desses vírus ainda não esteja claro. O adenovírus foi o patógeno mais comum detectado em 40 dos 53 casos testados. Ele é um vírus comum que pode causar sintomas respiratórios ou vômitos e diarreia. Em geral, a infecção é limitada e não evolui com gravidade, embora casos raros de hepatite tenham sido relatados em pacientes imunocomprometidos ou pessoas submetidas a transplantes.

No entanto, essas crianças não se enquadram na descrição, pois antes estavam saudáveis. Dez casos testaram positivo para Sars-CoV-2 na admissão, de 61 casos com dados de teste disponíveis (16%). Três casos foram co-infectados com adenovírus e Sars-CoV-2. A hepatite aguda não é uma característica comum da infecção por Sars-CoV-2 em crianças. A decisão de testar foi baseada na avaliação clínica. Nenhum outro fator de risco epidemiológico foi identificado até o momento.

CENÁRIO NO BRASIL

No dia 28 de abril de 2022 foi realizada a primeira notificação pelo CIEVS RJ, sobre caso provável de hepatite aguda de etiologia desconhecida. O primeiro caso ocorreu em Niterói (RJ) e está em investigação. A partir da notificação, o CIEVS Nacional articulou equipe de especialistas para apoiar no direcionamento da investigação.

Até o dia 5 de maio de 2022, foram notificados sete casos prováveis em duas Unidades Federativas do Rio de Janeiro e Paraná, que atendiam aos sinais e sintomas descritos inicialmente pela OMS. Os casos prováveis continuam em investigação e revisão, a partir da nova definição de caso estabelecida, a partir das evidências científicas disponíveis, até o momento.

Pais e responsáveis devem estar atentos. Crianças com sintomas de uma infecção gastrointestinal, incluindo vômitos e diarreia, associado à icterícia (coloração amarelada da pele, das mucosas e dos olhos), devem procurar imediatamente um serviço de saúde.

Departamento Científico de Hepatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) (Flávia Lo Bello – e-mail: contato@veritecomunicacao.com.br)

Deixe uma resposta