Evitar as mortes pelas tempestades

0
93

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*)

Rio de Janeiro e São Paulo têm 13 mortes a lamentar como decorrência das tempestades do último final de semana. São acontecimentos que poderiam ter sido evitados porque todos sabiam antecipadamente que o mau tempo estava para ocorrer na chegada da frente feria que já havia criado dificuldades nos Estados do Sul. Mesmo assim, as 11 vítimas do Rio e as duas de São Paulo foram atingidas pelo fenômeno e pereceram. É um grave problema que toma dimensões maiores quando lembramos que só em São Paulo, no verão passado, ocorreram 20 mortes cujas vítimas foram atingidas pela água ou outros efeitos da chuva forte. O quadro é recorrente e exige providências. Como podem as pessoas não se protegerem, mesmo informadas de que a tormenta está chegando; ou pior, o que as leva a enfrentar a água das cheias, mesmo sendo de domínio público a informação de que uma lâmina d’água de 15 centímetros de altura é suficiente para arrastar um indivíduo e que 30 centímetros levam um automóvel e pode matar seus ocupantes. Antes de qualquer outra atitude, precisamos convencer os cidadãos a não pisarem e nem entrar de carro na enxurrada, porque isso pode ser fatal.

O mundo – inclusive o Brasil – dispõe de radares, satélites, outros dispositivos e cultura suficientes para monitorar os fenômenos climáticos. Tanto que ficamos sabendo com antecedência quando e onde vai chover e até a intensidade da descarga de água. Mas, pelo visto, esse noticiário não tem servido para o povo adotar as devidas precauções. Não é difícil imaginar que as pessoas talvez não estejam recebendo os informes pois, se os conhecessem, não colocariam em risco a própria vida.

Precisam os governos – federal, estaduais e municipais – tomar as providências para evitar que a água transborde dos rios e inundem vias públicas, imóveis e outras instalações. Desenvolver um programa de desobstrução daquelas áreas que ao longo de centenas ou até milhares de anos a Natureza definiu como o caminho das águas (e um dia foram indevidamente ocupadas) para que fiquem disponíveis como pulmão natural ao escoamento das cheias. Essa é uma tarefa onerosa e certamente demandará muitos anos de trabalho e investimentos. Por Isso, paralelamente, é necessário realizar campanhas de esclarecimento do povo para evitar a ousadia que leva à perda de vidas. Todo indivíduo, desde a infância até a senilidade precisa ser alertado de que poderá morrer prematuramente se enfrentar a fúria da água e do fogo e se não respeitar altura. Essa ação, sem dúvida, poderá evitar as mortes, preservar os cidadãos para a vida em sociedade e evitar o imenso sofrimento de seus familiares.

Os serviços de previsão do tempo são mais do que a satisfação da curiosidade do povo. Eles existem para que as pessoas possam, com as informação, se proteger dos sinistros. Da mesma forma que um dia ouviu sua mãe deixar de lavar roupas porque ouviu no rádio que ia chover, todos devem se interessar para saber e definir os lugares onde podem ir ou não devem comparecer. É a mesma coisa que os agricultores e os titulares de diferentes atividades profissionais e econômicas que se imunizam dos problemas ao saber quando e onde vai chover.

São muitos ao maus-tratos aos chamados caminhos das águas. Quando a água vem, apresenta-se devastadora, como quem está cobrando a imprevidência e castigando os imprevidentes. É preciso o poder público, além de realizar as obras de engenharia necessárias, conscientizar o povo de que não pode jogar móveis, carcaças de veículos e outras peças sucateadas dentro do rio porque, quando ocorrerem as cheias, elas farão a água transbordar e causar os problemas. Esse drama não é brasileiro. Já ocorreu em toda parte quando da urbanização e desenvolvimento. Existem centenas de soluções já consolidadas em todos os continentes e muitos técnicos brasileiros – inclusive dos órgãos de governo – já foram conhecê-las. Deveriam, agora, definir quais as mais adequadas para a partir delas escolher o que fazer em nosso país. O Brasil e os brasileiros merecem esse esforço. Para ser rápido e acabar com as mortes imprevisíveis, o ideal será os governos recorrer às escolas (públicas e particulares) e às igrejas para alertar seus integrantes – alunos e fiéis – dos riscos da relação do ser humano com as águas incontroladas. A divulgação desse informe nesses dois segmentos será capaz de informar – e consequentemente proteger entre 80 e 90% da população…

(*) É dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)
aspomilpm@terra.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.