Envelhecer com dignidade

(*) Milton Dallari

O título desta coluna pode fazer você imaginar que ela se dirige ao público da chamada terceira idade. É verdade, mas o principal objetivo é conversar com você, que está chegando ao mercado de trabalho e para quem a velhice está muito distante.

Você sabia que no ano 2000 havia 600 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade em todo o mundo? Em 2025, serão 1,2 bilhão e, em 2050, cerca de dois bilhões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Hoje, 60% do pessoal da terceira idade vivem nos países conhecidos como “em desenvolvimento”, como o Brasil. Em 2025, eles serão dois terços de todos os idosos no planeta. Nos países mais desenvolvidos, a população com mais de 80 anos de idade é a que mais cresce.

A conclusão é que o mundo está envelhecendo, o que é uma grande notícia. Isso quer dizer que o avanço do saneamento básico, da medicina e da educação está aumentando a expectativa de vida. No Brasil, as mulheres que nasceram em 1980 tinham uma esperança média de vida de 62,7 anos e os homens, de apenas 59,6 anos. Uma criança que nasça neste exato momento já tem expectativa de viver 71,3 anos e se for menina, 75,2 anos.

Mas essas notícias excelentes trazem embutido um grande perigo. O problema é que os sistemas públicos de previdência social, aposentadoria e pensões foram criados entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX, quando a expectativa de vida era muito menor no mundo inteiro. Como a população era mais jovem, as contribuições dos trabalhadores na ativa, ao lado dos repasses das empresas e do Estado, sustentavam sem grandes problemas as aposentadorias dos mais velhos.

Só que essa pirâmide se inverteu e, hoje, há cada vez menos jovens sustentando uma população que envelhece. A Previdência Social brasileira, por exemplo, já conta com 17,1 milhões de aposentados e pensionistas (sem incluir aqueles que têm condições de pagar um plano privado ou têm o apoio de fundos de pensão de grandes empresas).

O recado é claro: prepare-se, desde já, para uma velhice tranqüila, digna de quem trabalhou a vida toda para o bem-estar de sua família e o progresso do país.

(*) É presidente da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp.

Compartilhe :

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

20 de Julho – Dia Internacional da Amizade: ter amigos aumenta expectativa de vida

Novos livros estão disponíveis na Biblioteca Mário de Andrade

Feiras de artesãos e empreendedores movimentam o final de semana (20 e 21 de julho)

O setor de serviços na Reforma Tributária

Rota de Colisão

CATEGORIAS