Emprego e vacinação

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Segue texto de portaria do governo federal publicada ontem (1º de novembro) no diário oficial. Seu conteúdo é naturalmente polêmico: protege pessoas não vacinadas contra demissão ou restrição de contratação.
Por que é polêmico? Porque o governo federal equipara exigência, por exemplo, de atestado ou laudo médico sobre esterilização à apresentação de carteira de vacinação. Mas são situações equivalentes?
Não são. No primeiro caso, tem-se o direito mais elementar da mulher: de decidir o que fazer com seu corpo e de engravidar, quando e se desejar. No segundo, vê-se notícia de proteção contra medida de combate à pandemia, tema que naturalmente (sim, é uma pandemia) ultrapassa o interesse individual das pessoas.
Afinal, por que, ainda em pandemia, tem-se uma medida do governo federal que estimula que algumas pessoas não se vacinem? Não seria melhor o oposto? E, assim, promover a mais ampla vacinação possível? Vejam que medo de efeito colateral, no estágio atual do combate contra pandemia, nem tem sentido: bastaria vacinar-se com coronavac, por exemplo, que reconhecidamente não causa qualquer reação.
O fato é que a portaria do governo federal implica interferência nas empresas. Sequer excepciona casos de empregados que tenham intenso contato com público (e, por isso, deveriam estar vacinados). Como os empregadores irão agir? Haverá disputa judicial? A conferir.

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